Flik que me desculpe
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora 
Gosto muito de jardinagem. Fico esperando um sábado ou domingo de sol para plantar uma muda, remover uma terra, jogar adubo nos canteiros, sair para comprar uma muda de tempero para o espaço da horta. Às vezes, quando surge aquela sensação de ''mesmice'', a gente muda um vaso de lugar e... vida nova!
Adoro o meu jardim. Ele é o mais colorido de todo o condomínio. Não digo que é o mais bonito, mesmo porque não estamos competindo e tenho vizinhas bem mais caprichosas e com mais tempo para se dedicar.
Mas tenho certeza que o meu jardim é o mais irreverente. Adoro misturar beijinhos com rosas, hortências, gerânios, folhagens verdes. Não quero o meu jardim planejado espaço por espaço, combinando apenas flores brancas e folhagens verdes. Gosto de saber que a natureza tem seus caprichos e gosto de surpresas.
Neste sábado tive a doce surpresa de um botão de rosa champagne, meio degradé, começando a dar o ar da graça em uma roseira pertinho da entrada principal. No domingo, quando abro a porta da sala tenho a desagradável surpresa de encontrar a flor quase totalmente destruída por formigas enormes. Tinha uma fila desses insetos descendo pela roseira carregando pedacinhos daquela flor de cor incrível.
Esqueci do que ensinei às minhas filhas e aproveitei que estava usando uma bota ''plataforma'' para sair pela calçada da frente pisando nas formigas que ousaram enfeiar meu jardim. Só parei quando ouvi a caçula choramingar: ''Mãe, a formiga é um bichinho da natureza''. A mais velha apelou: ''Lembra do Flik'' (o simpático herói do desenho Vida de Inseto).
Reprimi meu instinto vingativo. Não ficava bem mesmo sair pela calçada esmagando formigas com uma bota ''última moda''. Esperei as crianças saírem de casa e fui em busca de uma arma mais poderosa: inseticida aerosol próprio para jardins.


