Flexibilidade pode levar Beatriz à seleção brasileira de GR
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domingo, 10 de dezembro de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Beatriz Pomini Francisco não é só uma promessa no esporte. É também uma agradável surpresa. Isso porque apesar dos poucos 10 anos de vida, a menina é tão articulada com as palavras quanto flexível nos movimentos. E olha que ela é reconhecida e premiada por sua hiperflexibilidade. Tanto que já ouviu muitas brincadeiras sobre o fato dela ser feita de borracha. Simpática, ela parece não ligar muito para isso. Dá logo uma risada e sai mostrando outra manobra radical com o próprio corpo.
Ginasta da categoria pré-infantil da ginástica rítmica da Unopar, Beatriz é uma das apostas da universidade que lançou para o mundo nomes como Dayane Camillo e Camila Ferezin do Amarante, atletas da seleção brasileira que conquistaram a tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. O feito inédito para o País trouxe os holofotes para a Unopar, que passou a ser vista como um celeiro de talentos da GR.
Hoje Camila é a técnica de Beatriz e outras tantas alunas aplicadas. O destaque para Beatriz se dá justamente porque a jovem ginasta está sendo preparada para competições individuais. Desde a minha turma que não se via um talento nato como a Beatriz, explica a técnica. A Unopar é uma referência nos conjuntos e agora está voltando com o individual, completa Camila.
Num piscar de olhos, Beatriz joga a perna para o alto e segura com uma das mãos reproduzindo para a câmera fotográfica o movimento chamado de pegada atrás. Minha mãe diz que eu nasci com bastante flexibilidade, lembra a menina, que mesmo antes do seis anos quando entrou para a equipe de GR já fazia malabarismos com pernas e braços. Sensação entre parentes e conhecidos, a menina acabou sendo levada para os testes da Unopar por um primo, que percebeu logo o talento de Beatriz.
No começo eu não entendia nada, depois fui aprendendo, conta a ginasta, que em outubro conquistou o título de campeã brasileira na categoria individual mãos livres, no Campeonato Brasileiro Individual de Ginástica Rítmica realizado em Manaus. Foi uma estréia espetacular em competições nacionais. Foi também a primeira vez que a menina viajou tão longe e de avião. Duas emoções bem diferentes que Beatriz vai ter que se acostumar como promessa que é. Muitos outros títulos e viagens longas virão. Não há dúvidas que ela estará na seleção brasileira daqui uns cinco anos, explica técnica Camila.
Para Beatriz, treinar com uma campeã como Camila tem um gostinho especial. Algo que a inspira para o futuro. Às vezes eu me canso, mas penso que não posso parar.
Eu sei que os testes só vão até os oito anos e eu já tenho 10. Se parar não posso voltar, diz a determinada ginasta.
Por conta das boas notas na quarta série, Beatriz não tem muitos problemas quando precisa viajar nas competições. Faço as provas depois, conta a ginasta.
A aplicação nos treinos também se estende às aulas. A professora falou para minha mãe que ela não precisava se preocupar comigo, lembra a menina, que por enquanto não sonha com outra carreira ou profissão que não seja a ginástica. Ainda não parei pra pensar nisso, avisa.
O dia da pequena ginasta começa cedo. De van ela viaja logo bem cedinho de Cambé para Londrina. Às 8 horas já está na Unopar para os treinos que vão até às 11h30. Depois de voltar para casa e almoçar é a vez de ir para a escola onde fica até o final da tarde. Nas competições costuma treinar também no período vespertino. Quando estiver na seleção brasileira deverá se dedicar aos exercícios pelo menos durante oito horas por dia. E isso não assusta Beatriz. Nem um pouco.


