São Paulo – Mude a forma de encarar os medicamentos naturais, pois eles podem representar perigo à saúde quando usados sem prescrição, sozinhos ou combinados com os alopáticos. Apesar da falta de estudos - e esse é o maior problema, há registros de casos que uma simples combinação pode ser desastrosa. E tanto os fitoterápicos quanto os medicamentos sintetizados, apontados em combinações nada inofensivas, podem ser adquiridos em qualquer farmácia, sem receita.
  É o caso do Gingko Biloba com o ácido acetilsalicílico (AAS ou aspirina) ou qualquer anticoagulante que pode, dependendo da dosagem e freqüência de uso dos dois medicamentos, causar sangramentos. Outra união indesejada é a Erva de São João, ou hipérico, com anticoncepcionais, que além de sangramentos, pode provocar falha na contraconcepção. Com antidepressivo, o hipérico pode diminuir o efeito da droga sintetizada. Outro caso? A castanha da índia pode modificar o metabolismo de anticoagulantes no organismo.
  Para agravar o quadro, além da facilidade de acesso a esses medicamentos, não parece haver argumentos contra uma prática muito comum no País: a automedicação. É fácil ouvir de parentes, amigos e até estranhos os benefícios e milagres de um remédio, com a mesma credibilidade de um especialista.
  ‘‘Todo e qualquer medicamento, natural ou não, deve ser utilizado apenas após a indicação de um médico. Apesar de ter origem em plantas, os fitoterápicos têm química’’, diz Flávio Dantas, médico Clínico Geral, especialista em Homeopatia.
  No entanto, Dantas ressalta que os fitoterápicos têm vantagens. Comparados aos sintetizados, eles são mais seguros, por ser a dose menor do princípio ativo. ‘‘Em excesso, o organismo pode ser intoxicado, causando os efeitos danosos’’, completa a professora Nilsa Sumie Yamashita, do Conselho Regional de Farmácias.
  Ela lembra também que, como o efeito dos fitoterápicos é em longo prazo, as pessoas tendem a acreditar que não faz mal. ‘‘O grande problema é convencer a população que o fitoterápico é um medicamento que tem efeito sobre o organismo. Sempre ouço as histórias de automedicação e fico apavorada’’.
  A origem natural dos fitoterápicos gerou a lenda do efeito inofensivo. Justamente por seus princípios ativos naturais que elas apresentam ação farmacológica, toxidade e efeitos adversos como os outros medicamentos. Também pode-se dizer que os fitoterápicos causam efeitos colaterais. ‘‘Pode ser positivo, negativo ou nenhum efeito. Mas tudo depende de cada organismo’’, conta Dantas.

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