Fisioterapeutas defendem direito de uso da técnica
Embora a polêmica sobre a acupuntura diga respeito a diversas áreas de saúde, ocorre uma polarização no debate entre fisioterapeutas e médicos. Ruy Moreira da Costa Filho, delegado do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Paraná (Crefito-8), alega que o Coffito reconheceu a acupuntura como especialidade da profissão antes que o Conselho Federal de Medicina fizesse o mesmo. Segundo o delegado, fisioterapeutas só trabalham com a técnica após cursarem especialização de 1.200 horas, o que garante um alto nível de conhecimento dos profissionais.
''Os médicos ao longo dos anos foram deixando de realizar muitos procedimentos e outras profissões foram se infiltrando. Por exemplo, hoje em dia, odontólogos já fazem cirurgia de face. Os médicos sentiram que perderam terreno e agora querem que tudo na área de saúde passe por eles'', critica. Costa afirma que o diagnóstico sempre cabe ao médico, mas a prescrição dos tratamentos como acupuntura é de responsabilidade do profissional de saúde que atende o paciente.
''O lado positivo que vejo nessa discussão é a preocupação de tratar a acupuntura como coisa séria. Muita gente sem a devida formação trabalha na área, o que é perigoso. Grávidas podem perder o bebê porque existem pontos abortivos no corpo. E em geral, a técnica aplicada sem o devido cuidado pode agravar a patologia que se pretendia tratar'', explica Silvana Saragoça Kuster, fisioterapeuta com especialização em acupuntura.
''Por outro lado, o que vejo também é que os médicos querem que a técnica seja uma exclusividade deles. Como a acupuntura pode ser aplicada em vários casos, como cálculos renais, depressão, dores musculares, estresse e gastrite, a classe médica considera que profissionais de outras áreas de saúde que utilizam a técnica estão invadindo seu 'território'. É absolutamente legítimo que fisioterapeutas com especialização trabalhem com acupuntura, pois possuem conhecimento'', diz ela. (F.G.)





