'Fim do aterro está previsto para 2008'
A vida útil do aterro da Caximba encerra no final do próximo ano. Concebido, implantado e operado, durante quase 20 anos, dentro dos critérios técnicos de aterro sanitário, o local será desativado seguindo os padrões do modelo. Foi programado o monitoramento ambiental e tratamento dos efluentes gerados na decomposição do lixo e o selamento da área com argila e cobertura vegetal. Por último, um projeto para aproveitamento energético do biogás iniciará no começo de 2008, com o objetivo de utilizar, no mínimo, 80% do gás metano produzido no aterro. Hoje, apenas 25% dele é queimado.
O gás metano é um dos causadores do efeito estufa e sua captura e queima monitorada pode gerar créditos de carbono, seguindo o Protocolo de Kyoto, já que evita a emissão de gás carbônico para a atmosfera. O aterro da Caximba tem potencial para queima de biogás por mais 20 anos.
''A licitação inicia até o fim de agosto para a empresa que vai implantar o projeto. Queremos que seja um exemplo para o Brasil até sua desativação. Aqui nunca existiu catadores e a operação sempre foi de acordo com o modelo sanitário'', reforça a coordenadora de resíduos sólidos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias.
Com o fim da operação do aterro, haverá também a redução progressiva do mal cheiro no bairro da Caximba. Segundo Marilza Dias, o odor presente no local se deve ao gás gerado pelo lixo e que está dentro do padrão exigido para o modelo de aterro sanitário. O local não poderá ser ocupado no futuro por nenhuma construção, a proposta é torná-lo um parque com trilhas para visitação ambiental. ''A restrição é necessária porque a medida que ocorre a decomposição do lixo, há uma acomodação do solo'', explica a especialista.
Próximo do fechamento do aterro, o consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos corre contra o tempo para implantar um novo sistema de várias tecnologias visando a redução do lixo produzido pelos 15 municípios da RMC e o máximo aproveitamento de materiais.
''A idéia é depender o mínimo de um novo aterro sanitário. Isso porque fica cada vez mais difícil encontrar locais para esse fim e que não encareçam o transporte, além do fato de comprometer as áreas para um uso futuro'', justifica Dias.
Segundo ela, será preciso reforçar políticas públicas de coleta seletiva de lixo e reciclagem de materiais, para que em cinco anos de desenvolvimento do novo sistema seja descartado no novo aterro apenas 20% do lixo produzido. Tendo como base a composição do lixo, além daquilo que for reciclável (30%), a parcela do lixo que é orgânica (38,11%) será reciclada com compostagem ou biodigestão. Já o material rejeitado que não é orgânico, nem reciclável, como pedaços de madeira, fraldas e trapos, pode ser usado como insumo energético.
''Não temos ainda uma experiência como esta no Brasil, que prevê um sistema integrado com o máximo de aproveitamento do lixo'', disse Marilza Dias, acrescentando que a intenção é que o nova alternativa funcione em sistema de concessão, cujas empresas responsáveis pelo tratamento sejam pagas pelos serviço. Além disso, as receitas geradas pela reciclagem e compostagem orgânica deverão vibializar o custo das tecnologias de aproveitamento. (F.G.)





