Chapeú de palha, roupas remendadas e rosto pintado. Fogos de artifício e bombinhas. Pratos típicos como pamonha, bolo de fubá, canjica. Forró executado com sanfona, zabumba e triângulo. Quadrilha. Fogueira. Estes elementos podem ser encontrados praticamente em todas as festas juninas promovidas em Londrina e cidades da Região Sul do País. Nos meses de junho e julho, a animação toma conta de empresas, escolas, paróquias, vizinhanças e clubes. Ontem foram realizadas festas juninas nos clubes Canadá, Iate Clube de Londrina e Grêmio Literário Recreativo Londrinense.
As celebrações, no entanto, são mais concorridas e tradicionalistas no Nordeste. A explicação para as diferenças entre os festejos juninos está na colonização das regiões. Esta é a opinião da professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Raimunda de Brito Batista. ''A colonização de imigrantes de outros países, como Japão e Alemanha, é muito forte por aqui. Já no Nordeste, a tradição da festa é resultado do predomínio da colonização portuguesa'', explica Raimunda, natural de Campina Grande, Paraíba, mas mora há 36 anos em Londrina.
Para os nordestinos, as festas juninas são mais importantes até que as celebrações de final de ano, como Natal e Ano Novo. Por outro lado, a tradição é mantida de forma diferenciada na Região Sul. Na análise da professora, os festejos realizados por aqui são ''representações da tradição junina''. ''Nas escolas, os pais vão as festas para ver as quadrilhas com os filhos. Aqui a festa é um espetáculo. É feita para as pessoas. Já no Nordeste, é feita pelas pessoas. Com participação efetiva de todos'', compara.
A religiosidade também é uma marca mais presente entre os nordestinos e os moradores da Zona Rural. Mesmo com a exploração dos forrós pela indústria do turismo, características religiosas ainda são preservadas. As celebrações são homenagem a três santos, cujos dias são comemorados em junho: Santo Antônio (13), São João (24) e São Pedro (29). O próprio Santo Antônio era um militar português. ''As igrejas até recebiam o soldo em nome dele'', revela a professora. Depois, passou a ser considerado o santo do amor. Não por acaso, a data escolhida é posterior ao Dia dos Namorados. Por sua vez, São João é considerado importante por ser um precursor de Jesus. João Batista foi responsável pelo batismo do próprio Filho de Deus. A tríade é completa com São Pedro, o porteiro do ceú.
Outra diferença entre os festejos juninos do Nordeste e do Sul é o tipo de roupa. Por ser considerado o maior evento do ano, a festa para os nordestinos é sinônimo de elegância. ''Resquício da tradição francesa'', pontua Raimunda. As roupas remendadas de caipira e o chapéu de palha são exclusividade das regiões Sul e Sudeste. ''Os nordestinos vão para o forró com a melhor roupa. Todos muito elegantes'', conta.
A preferência pelas guloseimas à base de milho vem do plantio feito pelos índios na época da colonização. A exemplo do Sul e Sudeste, pamonha, curau, espigas assadas e cozidas e bolo não faltam nos arraiás. Mas também há diferenças. A quirera, que no Paraná é usada para alimentar criações, serve para os nordestinos produzirem mais um tipo de delícia junina. O xerém é a quirera cozida com linguiça e costelinha de porco.
Nem mesmo as músicas tradicionais foram poupadas. Em várias festas realizadas por escolas, os estilos country e sertanejo têm substituído o forró. ''Aqui, até a música é sertaneja. E muitos participam vestidos de caubóis'', constata. No entanto, mesmo com tantos elementos descaracterizados, a tradição dos festejos juninos não deve desaparecer. Para Raimunda, o importante é que as celebrações atuais ''não morram.'' ''As tradições modernas mudam, mas não acabam. Dificilmente surge uma coisa mais significativa para substituí-las. As festividades adquiriram novas feições, mas não deixaram de ser uma tradição brasileira. Tudo isso é a construção da nossa identidade'', completa.

SERVIÇO:
Outros arraiais
Hoje:
Londrina - Festa junina no Sesc, em frente à sede na Rua Fernando de Noronha, 264, a partir das 14 horas.
Assaí - 1 Festa Nordestina de Assaí, no pátio do Terminal Rodoviário da cidade. Haverá apresentações de Bumba Meu Boi e danças do folclore nordestino (ciranda, côco e cacuriá) a partir das 14 horas.
Próximo sábado (dia 2 de julho):
Londrina - Festa junina na Associação Recreativa e Esportiva Londrinense (Arel). O evento tem início às 17 horas, na sede do clube, na Rua Henrique Dias, 567, no Jardim Petrópolis (Zona Sul).

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