FIM DE JOGO - Uma lição dura de aprender
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 2008
Giuliana Reginatto<br>Agência Estado 
São Paulo - Como sobreviver à perda de um amor? Do título do best seller de Harold Bloomfield e Melba Colgrove, de 1976, a tantos outros elaborados por especialistas e pessoas que passaram pela dor da rejeição, os manuais sobre frustrações amorosas convergem em um ponto: a capacidade para superar a ruptura vem do fortalecimento da auto-estima.
''Às vezes, a dor vem da necessidade de resgatar o amor-próprio e não de resgatar a pessoa que partiu. Quanto maior a insegurança mais difícil fica superar a rejeição. É como se fosse emitido um código: 'faça o que quiser, mas não me abandone''', diz Marco Antonio Tommaso, psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo (USP).
Lívia Militão, 29 anos, conta que se tornou mais vaidosa após o namorado romper a relação, há poucos meses. ''O que doeu mais foi a rejeição. Meu mundo acabou, fiquei sem rumo. Vivia para ele e não sabia o que fazer com o tempo livre. Para preencher o vazio, procurei uma atividade física e um curso para dirigir motos. Parei de roer unha, passei a usar cremes e maquiagem. Dou mais atenção a mim e não condiciono minha felicidade a ninguém. Foi a lição mais importante que aprendi'', diz.
O agrônomo Vitor Marin, 29, também resolveu investir na aparência para elevar sua auto-estima após a namorada colocar um ponto final no relacionamento de seis anos. ''Voltei para a academia e passei a me preocupar mais com o meu corpo. Apoiar-se nos amigos e na família, viajar e frequentar as baladas ajuda bastante. Só não pode ficar em casa, deprimido'', ensina.
Procurar distração fora de casa para diminuir o impacto do abandono é um dos conceitos explorados pelo professor de neurociências e consultor motivacional Carlos Moraes em suas palestras.
''A pessoa deve ir ao cinema, mesmo que seja sozinha. Um pé na bunda pode ser um empurrão para frente ou para trás, a escolha é pessoal'', argumenta. Ele aborda a questão no seu DVD ''Força para vencer'' (Informações no site: www.plusincentive.com/dvd-vencer).
Mudança de rumo
Para Vitor Marin, o final do namoro trouxe sofrimento, mas também aprendizado. ''Aprendi muito sobre mulheres, a tratá-las bem e fazer os elogios na hora certa, escutar mais, dar presentes nas datas especiais e fazer algumas surpresas. Com a ex-namorada não era tão atencioso e vi que quem não dá assistência abre mesmo concorrência. Terminamos em julho e ela está com outra pessoa, no quinto mês da gravidez.''
Marin conta que conseguiu superar o rompimento sozinho, sem o apoio da auto-ajuda. ''Não cheguei a ler um livro porque não acredito em fórmulas milagrosas, que servem para todos, mas perdi muito tempo na internet procurando histórias e pessoas que falavam sobre suas experiências de amor e paixão.''
Lívia Militão, ao contrário de Marin, buscou ajuda especializada para vencer o sentimento de rejeição. ''Chorava o dia todo pensando no porquê daquele final. Entrei em depressão, tive de tomar remédio e fazer terapia. Também pedi demissão porque trabalhávamos juntos e eu não aguentava vê-lo todo dia. Ainda não consigo me envolver com outra pessoa, mas tenho me divertido com os amigos.''
Na opinião da psicóloga Júnia Ferreira, especialista em medicina comportamental pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mergulhar em uma relação para apagar outra é um dos erros mais comuns cometidos por quem foi dispensado.
''Isso não funciona porque você entra aos pedaços na nova relação e acaba repetindo os mesmos erros. Esse período deve ser de autoconhecimento, de reestruturação do seu lado emocional. Quando um relacionamento termina, quem é deixado sempre acredita que não teve culpa, quando na verdade a responsabilidade pelo começo e pelo fim da relação é dos dois envolvidos'', diz a psicóloga.
Vítima, não
A terapeuta Eliana Ribeiro critica a posição de vítima assumida pela mulher abandonada. Na opinião dela, a mulher é a principal responsável pelo fim dos relacionamentos.
''Quantas vezes você ouviu que 'não há homem que preste'? Na verdade, o problema está na mulher. Ela foi educada para ser emocionalmente adolescente para sempre. A Disney faz casamentos temáticos em que a noiva escolhe o castelo de uma personagem para se casar, usando a roupa das princesas de desenho animado. Há noivas de 50 anos agindo como garotinha à espera o príncipe encantado'', conclui.
PARA NÃO SOFRER
Dicas da Obra: ''Quando Termina é Porque Acabou''
1. Não veja o ex: não fale com ele por dois meses, no mínimo. Este é o tempo necessário, em média, para superar sua ausência.
2. Procure os amigos: desabafar com eles é essencial para que a própria pessoa possa assimilar o fim do relação.
3. Encaixote as lembranças: se você se obrigar a lembrar do antigo parceiro todos os dias será difícil tirá-lo da sua vida. O ideal é guardar objetos e fotos em gavetas de pouco acesso.
4. Saia de casa diariamente: um dos principais efeitos colaterais provocados pelo fim do relacionamento é o excesso de tempo livre, que pode se converter em momentos de tristeza e saudosismo se não for preenchido.
5. Vista-se bem: o primeiro passo para mostrar que você está lutando para sair do fundo do poço é não abrir mão da aparência. Invista em você.
6. Nada de recaída: aceitar um encontro com o antigo parceiro equivale a reabrir uma ferida que estava começando a cicatrizar.
7. Fortaleça a auto-estima: só quando acreditar que não é desinteressante só porque foi abandonado é que estará pronto para uma outra relação.
Fonte: Greg Behrendt, roteirista do seriado ''Sex and the City''


