Enquanto as lojas dos shoppings comemoram as vendas natalinas de fim-de-ano, os artesãos pedem para que o verão acabe. Este é o caso de Leonardo Aparecido Furquim, de 25 anos, que trabalha como vendedor e ajuda a fazer roupinhas de crochê para bebês e crianças.
''Começa a esquentar, chega dezembro, e a gente não vê mais pessoas circulando pelas ruas de Curitiba. Somem todos, vão todos para a praia. Eu trabalho há quatro anos aqui e sempre torço para que chegue o inverno'', comenta Leonardo, que vende no Largo da Ordem. Para ele, é mito dizer que o melhor período de vendas é o Natal. ''Eu venho trabalhar sabendo que vou vender pouco. Venho arriscar. Às vezes, a gente leva sorte'', pondera.
Na Praça Osório, Bruna Salvi, de 18 anos, vende as bolsas e os cintos artesanais produzidos pela mãe. Ela convive com as interpéries do tempo, com a chuva, com o frio. E mesmo nos dias mais chuvosos, precisa estar vendendo. ''Não dá para dizer que a gente não vende. Vende. Mas depende do dia, do tempo. Dias de semana a gente não vende bem, mas nos finais de semana melhora um pouco'', salienta.
No inverno, Bruna diz que vende produtos com cores neutras - mais tons pastéis. Já no verão, as vendas são de produtos coloridos. ''Não dá para dizer que tem um perfil específico. Vendo para mulheres, basicamente. As mulheres mais novas gostam dos cintos. As mais velhas, das bolsas'', avalia.
Não é raro ver pelo Centro os chamados ambulantes ilegais. Estes não dão entrevistas. Nem se arriscam nos dias mais frios. Mas são vistos frequentemente pelas esquinas do comércio nas principais esquinas. Geralmente os produtos (CDs, DVDs, cigarros) são piratas ou contrabandeados. Os vendedores ficam preparados e em casos de fiscalização, puxam os produtos e correm.
A Prefeitura de Curitiba informa que os fiscais fazem rotineiras verificações do comércio ambulante nos principais pontos da cidade. Não existem vagas atualmente para novos vendedores no anel central. Os interessados em vender precisam se cadastrar e esperar vaga. Nos bairros, existe espaço ainda para o comércio ambulante. (L.P)

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