Fim da empresa, fim do prestígio
Ex-funcionários engrossam as listas do serviço de proteção ao crédito. Após a falência da Encol, as perspectivas para os funcionários da empresa permaneceram obscuras por dois anos, até o estabelecimento de uma mesa de negociações entre a administração da massa falida, representantes das partes prejudicadas e intermediada pela Justiça de Goiânia. Essa mesa, criada em setembro de 2001, nomeou o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Contrução Imobiliária de Londrina, Valdir de Oliveira, como um dos três representantes dos ex-funcionários da Encol no País.
As ações movidas pelos funcionários representam cerca de 20% dos 17 mil processos iniciados contra a Encol. Na primeira reunião da mesa, realizada no final de 2002, um acordo permitiu à Encol livrar-se das multas decorrentes de atrasos pelos pagamentos dos encargos contratuais com os funcionários. Segundo o advogado do Sindicato, Jorge Custódio, somente as multas respondiam por 50% do valor do crédito devido aos trabalhadores, que o síndico da massa, o advogado Ovanir Andrade, estima em R$ 40 milhões. ''A Encol ficou obrigada a pagar somente os encargos de contrato'', explica Custódio.
No primeiro pagamento, efetuado em janeiro de 2003, funcionários que tinham os valores já revisados e aprovados pela Justiça de Goiânia, com faixa de crédito entre R$ 2,8 mil e R$ 50 mil, receberam 40% do saldo. Quem tinha crédito inferior à primeira faixa recebeu tudo; os trabalhadores com crédito superior a R$ 50 mil não receberam nada. O síndico da massa afirmou à reportagem da Folha que espera conseguir pagar os créditos restantes até julho deste ano. No Brasil, 3.378 pessoas receberam parte de seus dividendos.
Em Londrina, 256 ex-funcionários da Encol receberam R$ 400 mil, referentes à primeira parcela da dívida da empresa. José dos Santos, que na época trabalhava como encanador, lembra do emprego: ''Tinha um bom salário, melhor do que de muitos outros por aí'', afirma. Santos recebeu R$ 1 mil do total de R$ 6 mil em valores atualizados, que a Encol lhe deve. A transição de uma vida tranquila como funcionário de uma grande construtora para a insegurança de ser contratado por uma empresa prestes a falir foi evidente, segundo ele. ''Quando a situação começou a piorar, faltava material no canteiro de obras e os salários começaram a atrasar'', conta.
Com o dinheiro que recebeu da Encol, Santos pretende tirar seu nome dos Serviços de Proteção ao Crédito, incluído nas listas justamente por causa da situação da empresa em 1999. ''Só agora vou poder fazer isso''.





