Filomena, uma luta diária, desde 1949
Famílias grandes, vida sofrida e futuro incerto foram alguns dos desafios compartilhados entre os imigrantes que chegaram ao norte do Paraná. Com oito anos, Filomena Almeida Maia, hoje com 62, revela que já cozinhava para que os mais velhos pudessem trabalhar na lavoura. A família emigrou de São Paulo em 1949, os pais vieram com quatorze filhos trabalharem como empregados em fazendas do Paraná.
Depois da família ser empregada em quatro fazendas formando a plantação de café, Filomena sentiu o gosto de ter a própria terra depois de casar, em 1961. Na terra onde então foi morar só tinha mato e cobra, segundo ela. ''Vendíamos a lenha para poder comprar comida, já que não tinhamos lavoura no começo. Sem água encanada, energia elétrica e fazendo todo o trabalho manualmente o início foi difícil, avaliou ela. O sítio, no qual ainda vive, fica no distrito de Guairacá.
Dos nove filhos que teve, quatro trabalham ainda na agricultura. Visitada pela reportagem da Folha de Londrina, Filomena estava quebrando milho com a ajuda de um dos filhos. Segundo ela, nos cinco alqueires que tem é sacrificado viver. ''Dá pra passar mas não sobra nada. Preciso usar a minha aposentadoria para investir no sítio mas não tenho retorno'', desabafou. Trabalhar na roça sem ter retorno foi o que reclamou José Alexandro Maia, 21 anos, filho de Filomena. ''Trabalhar na lavoura não é ruim, mas não dá dinheiro'', disse ele. Maia que estudou só até a oitava série ainda não sabe se vai ficar na roça ou ir embora para a cidade.
Filomena tem oito mil pés de café, planta arroz e feijão, além de ter horta e animais para ajudarem no sustento. Ela precisou aprender a gerenciar o sítio depois que ficou viúva há três anos. ''Enquanto ainda consigo trabalhar na lavoura vou tocando o sítio'', sentenciou ela, durante uma pausa na colheita de milho.





