Filo Ano 0, a luta continua
Jackeline Seglin
De Londrina
Como a cultura londrinense vai entrar no último ano do século? Pelo jeito, enfrentando os mesmos problemas financeiros, os preconceitos e a falta de condições técnicas. Mas batalhando, à medida do possível, para atingir as metas propostas. Os projetos avançam em direção a novas idéias e ao envolvimento maior em relação à comunidade.
Um exemplo dessa evolução é o Festival Internacional de Londrina Filo 2000, Ano 0, De Todas as Artes, que já apresentou sua proposta de atuação para o ano que vem. Criado em 1968 como um festival universitário local, o Filo tem uma história evolutiva marcada não apenas por um roteiro cultural. Há 32 anos faz o registro e a travessia dos períodos sócio-políticos que marcaram sua trajetória. Em 1988, estreou a Mostra Latino-Americana de Teatro, a primeira do gênero no Brasil.
Às portas do Terceiro Milênio, os organizadores do Filo lançam um projeto ousado, que prevê trabalhos de criação e parceria da comunidade londrinense com artistas de várias partes do mundo. A diretora do festival, Nitis Jacon, busca um projeto de compatibilização do potencial criativo dos artistas e da sociedade com uma proposta-piloto de política cultural que promova uma trans-ação com e entre diversas zonas de exclusão (do conhecimento, da educação, da saúde, do lazer criativo etc), estimulando uma visão unitária do organismo social na dimensão cultural. A travessia dessas zonas serão propiciadas pela valorização e estimulação das manifestações culturais.
A população terá um papel mais ativo neste processo. Não atuará apenas como espectadora. Isso será possível através de projetos desenvolvidos na primeira fase do festival que será dividido em três etapas. Em maio, cerca de 20 propostas de programas sócio-culturais serão desenvolvidas em diversas áreas e segmentos da comunidade. O trabalho poderá resultar na continuidade de alguns projetos na terceira fase do festival, que viabilizará recursos técnicos e operacionais para os escolhidos.
A programação do Filo 2000 será apresentada na segunda fase do evento, em julho. Este ano, o Filo mostrou uma prévia de 2000: reuniu expressões que o festival foi absorvendo nos anos de história. E agora, encara a tarefa de realizar um festival de todas as artes. Pelo espaço das artes cênicas se cruzam todas as artes, observa Nitis, ao falar da dificuldade de nominar todas.
Em 2000, a cidade terá circo, teatro, dança, cinema, artes plásticas, ópera. Terá ainda projetos nas áreas de moda, gastronomia e alimentação, humanidades, arte-educação, entre outros. O festival não é mais um evento só de teatro, nem só das artes cênicas. Agora assume um caráter mais amplo, de transculturalidade, assegura.
Assim como o Filo 2000, outros eventos estão caminhando para vencer seus desafios. Se depender da vontade das pessoas que fazem cultura na cidade, o ano terá algumas boas surpresas. Resta saber se essa batalha vai encontrar resposta no incentivo, no reconhecimento e no respeito da população e, acima de tudo, no respaldo dos órgãos públicos e privados.





