A história de Londrina é feita não apenas de pioneiros famosos, mas de diversos anônimos, que também contribuíram com o crescimento da cidade. Os exemplos são inúmeros. Um destes heróis desconhecidos foi o oleiro e agricultor João Benedicto Menegazze. Natural de Birigui, no interior de São Paulo, o filho de italianos estabeleceu-se na Região Norte do Paraná em 1934, logo após a criação do município de Londrina. A dedicação do ''anônimo'' Menegazze, que morreu em 1991, foi até homenageada por um dos filhos, o dentista João Antonio, em um dos poemas do livro Poesia Viva.
Para João Antonio, a cidade deve ''reverenciar não apenas aqueles pioneiros que conseguiram acumular riquezas materiais e ficaram conhecidos de todos, que são muito importantes, ou os políticos e administradores públicos, que também são muito importantes, mas também os pioneiros anônimos, que também tiveram participação efetiva no desbravamento e no desenvolvimento de Londrina.''
A família Menegazze - ou Menegasse, como assina João Antonio por força de um erro de registro - foi uma das pioneiras desconhecidas, que contribuíram com o desenvolvimento, principalmente, do Patrimônio Selva, onde morou a maior parte da vida e permanece uma irmã de João Antonio. Fatos da infância dele foram abordados em três poemas: Velho Rio, Igapó e Inocência.
A chegada da família em Londrina foi motivada pela busca de uma região mais próspera. Após uma época vivendo na cidade, trabalhando como funcionários de uma olaria, os Menegazze foram tentar a sorte no Patrimônio Selva. Após comprar um ''pedaço de mato'' na região, eles desmataram a iniciaram uma pequena lavoura, horta e criação de pequenos animais.
As lembranças que povoam a mente de João Antonio não são restritas ao trabalho e às dificuldades enfrentadas nas primeiras décadas da história de Londrina. Uma recordação marcante são as festas religiosas que movimentam o Patrimônio Selva, nos dias dos santos homenageados. A própria presença do padre na localidade já era motivo de comemoração, anunciada com muito barulho de rojões.
Apesar de ser uma família simples, João Benedicto Menegazze sempre incentivou o estudo dos filhos, que frequentavam a Escola Municipal Felipe Camarão, única do patrimônio até a construção do Grupo Escolar. As crianças conciliavam com os estudos o trabalho na olaria da família, montada no patrimônio. O negócio próprio durou até o início da década de 1950, quando, como a maioria dos moradores da região na época, os Menegazze optaram por ''tocar café.'' Após dois anos cultivando o ''ouro verde'' no Patrimônio Selva, eles passaram a atuar como porcenteiros ou arrendatários na região de Arapongas (37 km a oeste de Londrina).
Nos anos 1970, os pais de João Antonio voltaram a morar no Patrimônio Selva. Depois de algum tempo, vieram morar com o filho em Londrina, onde ele aposentou-se como bancário, formou-se em Odontologia e atua como dentista desde 1977. Paralelamente, mantém a carreira de escritor. Em seu livro, prestou homenagem à infância no Patrimônio Selva no poema ''Velho Rio''. ''Menino, não faça barulho, / Vai espantar os peixes... / Foi ouvindo sussuros como este / Que fisguei os meus primeiros lambaris / E aprendi extrair sustento / De tuas águas e margens, / Meu rio ...'' F.R.F

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