Filantrópicos trabalham no vermelho
Dados da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), indicam que, nos últimos dez anos, cerca de 100 instituições encerraram suas atividades devido à falta de recursos e dificuldades financeiras. Dentre importantes hospitais que fecharam estão a Santa Casa de Paranaguá e Santa Casa de Foz do Iguaçu, enumera o presidente da Federação, Maçazumi Furtado Niwa.
Os números são ainda mais preocupantes quando se leva em consideração a importância desses estabelecimentos. Na maioria dos municípios paranaenses, quase a totalidade dos atendimentos de prontos-socorros é realizada por hospitais filantrópicos e Santas Casas e não por unidades hospitalares municipais ou estaduais próprias.
Conforme o presidente, desde dezembro de 2008, para 1,4 mil procedimentos do SUS, a cada R$ 100,00 gastos no atendimento de pacientes pelos hospitais, o SUS remunera os prestadores de serviços em R$ 65,00. Seria necessário um reajuste de 54% em todos os procedimentos para cobrir essa diferença. O que não é dito, é que pela legislação, os atendimentos aos usuários do SUS devem corresponder no mínimo a 60% dos serviços prestados pelas Santas Casas e Hospitais Filantrópicos.
A consequência do descaso é agravada por mais números. Levantamento divulgado no ano passado pela Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos (CMB) apontou que as dívidas dos hospitais filantrópicos ultrapassam R$ 5,9 bilhões. No mesmo estudo, revelou-se uma defasagem anual de R$ 4,4 bilhões anuais entre os custos dos serviços hospitalares e a tabela de remuneração de procedimentos do SUS, complementa Niwa. Ainda não há um levantamento oficial somente do Paraná.
Conforme Niwa, a saída para equilibrar as contas passa por estratégias de marketing, como arrecadação de recursos junto à comunidade, pela melhoria da gestão do orçamento e pelo atendimento a convênios, que ajudam a equalizar a conta. (Marian Trigueiros)





