Já parte integrante no vocabulário do adolescente, atualmente o ''ficar'' alcança significado bem mais sério do que tinha há alguns anos. Esse comportamento continua sendo uma busca pela descoberta, inclusive quando o assunto é sexo. ''Hoje, o 'ficar' até contém uma conotação sexual, mas isso vai depender da maturidade emocional de cada jovem'', afirma a assistente social Lorelai Keller Araújo.
Para ela, esse tipo de relacionamento pode ser definido como a busca interna de cada adolescente, onde as regras são estabelecidas a dois. ''Se há ou não uma relação mais íntima vai depender da cabeça de cada um'', diz Lorelai.
O ficar já é uma forma de relação aceita pela sociedade, substituindo até mesmo o ''velho'' hábito de namorar. Segundo Lorelai, para o adolescente, o 'ficar' de hoje é a paquera de ontem.
De acordo com a assistente social, todo adolescente é carente por natureza e por isso precisa de afeto e aconchego. ''Quando não encontra na família, ele busca no grupo ao qual pertence'', explica.
É nesse sentido que o papel dos pais de diálogo e de atenção passa a ser essencial. Lorelai diz acreditar que o modo como o jovem se comporta nesse tipo de relacionamento vai depender da informação que recebe em casa. ''Se os pais concordarem que o adolescente tem maturidade para um relacionamento mais íntimo, devem apoiar. Agora, se acharem que ainda não é o momento, precisam orientar e controlar'', declara Lorelai.
O papel de orientação e controle dos pais pode ajudar inclusive na prevenção de uma gravidez indesejada. ''Em algumas áreas os pais são muito permissivos, o que contribui para que garotas de 12 e 13 anos já estejam se tornando mães'', completa a assistente social.
Aids Para a psicóloga e terapeuta familiar Ana Maria Addor, além da gravidez, os pais devem conversar também sobre Aids no dia-a-dia. ''Na questão sexual, a mulher principalmente as adolescentes querem seu espaço, mas podem acabar se perdendo na busca'', completa.
Ana Maria concorda que os comportamentos estão mudando quando o assunto é ''ficar''. ''Hoje há uma certa intolerância com relação a casamento entre as pessoas mais jovens. Os adolescentes querem diversidade.''
Também para ela, esse relacionamento não necessariamente envolve sexo, mas as relações íntimas estão acontecendo cada vez mais cedo por volta dos 12 e 14 anos. ''É importante que os pais participem da vida do filho, conversando francamente e passando suas experiências. Proibir tudo não adianta'', diz a psicóloga.

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