A preservação da aliança dos partidos governistas em torno da candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição e a inédita aliança dos principais partidos de oposição em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pela terceira vez tenta chegar ao Palácio do Planalto, acabaram polarizando a campanha eleitoral deste ano. Além de Fernando Henrique e Lula, que repetem dobradinha de 94, outros dez candidatos estão disputando a eleição presidencial.
Ciro Gomes, da coligação Brasil Real e Justo (PPS/PL/PAN), e Enéas Carneiro, do Prona, são os únicos que aparecem nas pesquisas de intenção de voto, ao lado de Fernando Henrique e Lula. A aliança entre liberais e ex-comunistas deu a Ciro Gomes um tempo maior de exposição na propaganda eleitoral do rádio e da televisão, mas não o suficiente para evitar a polarização da campanha entre Fernando Henrique e Lula.
A disputa eleitoral envolveu, ainda, a candidatura do ex-presidente Fernando Collor pela coligação Renova Brasil (PRN e PRTB). Apesar de o Congresso ter cassado seus direitos políticos até o ano 2000 por causa do processo de impechment a que foi submetido, Collor conseguiu manter sua candidatura por quase dois meses graças a artimanhas jurídicas. Ele chegou a se apresentar como candidato no horário eleitoral gratuito, mas foi definitivamente impugnado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente Fernando Henrique Cardoso disputa a reeleição pela coligação União, Trabalho e Progresso, composta pelos partidos que dão sustentação ao seu governo no Congresso - PSDB, PFL, PPB, PTB e PSD. O PMDB não ingressou formalmente na aliança, mas a ala governista do partido está integrada à campanha pela reeleição. O ex-presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), tentou, sem sucesso, todos os recursos jurídicos para assegurar uma candidatura própria do partido à Presidência. O ex-presidente Itamar Franco até se apresentou como pré-candidato, mas desistiu depois de ser hostilizado na convenção do partido que rejeitou a candidatura própria.
O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) também foi cortejado para disputar a Presidência, mas não aceitou. O desdobramento das negociações com o PMDB resultaram na candidatura do ex-presidente Itamar Franco ao governo de Minas Gerais, com o apoio do presidente Fernando Henrique. Sem um candidato competitivo, o ex-presidente do PMDB ainda tentou lançar a candidatura do senador Roberto Requião (PR), mas novamente não foi bem sucedido. Os governistas boicotaram a convenção, que não teve quórum mínimo para deliberação, e o PMDB ficou de fora da disputa eleitoral pela Presidência.
O PTB também tentou criar dificuldades para a formação da aliança governista que apóia à reeleição do presidente Fernando Henrique. O presidente do partido, senador José Eduardo Andrade Vieira (PR), após ter perdido o controle acionário do Banco Bamerindus (vendido ao banco HSBC) rompeu com o governo e tentou uma aliança com o candidato do PPS, Ciro Gomes. Essa ruptura com o governo teve o apoio de uma ala expressiva do PTB. A convenção do PTB, no entanto, decidiu apoiar Fernando Henrique.
O candidato da frente de esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva, também teve problemas para compor sua coligação. Para disputar pela terceira vez a Presidência, Lula impôs como condição a formação de uma aliança entre os principais partidos de oposição ao governo. Nas negociações, o presidente do PDT, Leonel Brizola concordou em ser o vice na chapa de Lula, mas com uma condição: que o PT apoiasse no Rio de Janeiro o seu candidato a governador Anthony Garotinho. A direção nacional do PT concordou, mas um grupo de petistas do Rio tentou romper o acordo, lançando a candidatura do ex-deputado federal Vladimir Palmeira. Para preservar a aliança, a direção nacional do PT interveio no diretório do Rio.
O PT também teve dificuldades para compor a aliança com o PSB. O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, presidente do PSB, tentou atrair para seu partido o ex-presidente Itamar Franco e ensaiou uma aliança com Ciro Gomes. Arraes acreditava que só uma aliança de centro-esquerda poderia vencer o presidente Fernando Henrique. O apoio do PSB a Lula só foi concretizado depois que a candidatura Itamar se inviabilizou e Ciro Gomes praticamente se isolou, filiando-se ao PPS.

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