Na década de 1980, os parreirais mantidos pelos descendentes de italianos, no município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, sofreram significativa redução. Os produtores trocaram a tradicional e trabalhosa cultura de uva pelo rentável cultivo de chuchu, de fácil manejo e com duas safras ao ano. ‘’Todo mundo cortou o parreiral para plantar chuchu, porque o retorno é rápido e dá ligeiro. Meu pai disse que preferia que cortassem o dedo dele a derrubar o nosso parreiral’’, lembra Pedrinho Strapasson, 56 anos, dono de parreirais com mais de 80 anos, plantados ainda pelo avô.
Ele é um dos poucos vitivinicultores da região. Significa que ele planta a uva que será depois usada na produção artesanal de vinhos. Não à toa, a vinícola é a mais famosa do Circuito Italiano Rural, vende mais de 100 mil garrafas de vinho, por ano. Cada garrafa da bebida só é vendida na propriedade. Assim como o suco de uva integral e as geléia de uva terci preparada pela esposa, Sirlei, 46 anos. ‘’Dá trabalho, são cinco horas de fogo, mexendo o tempo todo para não grudar no tacho’’, disse ela.
O casal e o filho mais novo tocam a propriedade e cuidam pessoalmente de toda produção artesanal de vinho. ‘’O mais importante é a higiene do processo de fabricação, qualquer descuido interfere no resultado do produto. E a uva somos nós mesmo que cultivamos. Fazemos o vinho da mesma forma que meu avô fazia, no capricho’’, disse ele. ‘’Guardo um livro de registros de produção que foi dele, mostrando como o tempo, vento, a lua e a colheita interferem no sabor. Quando fazemos o vinho já sabemos o gosto que ele vai ter’’, revela.
Só para a 46ª Festa da Uva de Colombo, que acontece de sexta-feira até domingo, no Bosque da Uva, a vinícola engarrafou 3 mil litros de vinho tinto seco e suave, vinho rosado e branco. ‘’A gente colhe os cachos e faz a moagem mecânica. Tiramos a graduação do suco da uva para checar o teor de açúcar e definir a quantia de açúcar necessária para realizar a primeira fermentação, quando se forma o álcool. Durante cinco dias, mexemos o vinho manualmente a cada duas horas’’, detalha Pedrinho Strapasson.
‘’Depois a gente separa o vinho do bagaço e coloca nos barris de madeira para a segunda fermentação com mais açúcar’’, conclui ele, que diversifica a produção com o plantio de hortaliças. ‘’A Festa da Uva é uma vitrine para o que produzimos. Mas também vendemos bastante, chega a faltar vinho’’, aposta. O público da Festa da Uva ainda poderá degustar outras delícias produzidas na colônia, como queijos, embutidos, conservas, geléias, uva in natura e, é claro, o vinho produzido em cerca de 15 vinícolas tradicionais da região.
Para animar a multidão de 100 mil pessoas, esperada para os três dias do evento, foram programadas atrações musicais como o grupo Herança, as duplas Hugo Pena e Gabriel e Willian e Renan, artistas locais e grupos folclóricos italianos. Também acontece a tradicional missa com o padre Reginaldo Manzotti na abertura da Festa da Uva, que ainda sedia a 8ª Feira de Indústria e Comércio apresentando o potencial produtivo das empresas e indústrias de Colombo. A entrada custa R$ 3,00.

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