FESTA SIM, TROTE VIOLENTO NÃO!
FESTA SIM, TROTEVIOLENTO NÃO!
Vale água, farinha, ovos, batom, tinta guache e até pó de café. Uma boa mistura para a festa de comemoração dos vestibulandos que conquistaram uma das 1.425 vagas do concurso de inverno realizado pela Universidade Estadual de Londrina.
Vale a festa, a comemoração. Mas trote violento, não.
Ser contra o trote violento não é estar contra a alegria. Ao contrário, significa defender o direito de comemorar, de estar feliz dos calouros.
Em Londrina, e particularmente na UEL, não se verifica, há vários anos, acontecimentos graves na recepção aos calouros. O que não significa que o risco deixou de existir. Apesar da existência de instrumento legal proibindo os abusos, ele não dá conta da complexidade do problema, quando juntos, no local que era para ser de festa e alegria, misturam-se o álcool, a agressividade, gerando violência.
Neste ano, tentando evitar a ocorrência de situações de risco e buscando prevenir acontecimentos indesejáveis, a Reitoria da UEL lançou, em janeiro, a campanha Diga não ao trote violento. Como dirigentes universitários e educadores nos preocupamos com essa situação. Não nos iludimos com o estado latente de uma cultura da violência que se alastra na sociedade, comenta o vice-reitor da UEL, professor Márcio Almeida.
Lamentavelmente, parcela da nossa juventude é vítima das falsas mensagens do que significa alegria e congraçamento. Muitos de nossos jovens não se dão conta que o exercício abusivo da liderança de alunos veteranos sobre alunos ingressantes é camuflado sob vários pretextos. O simples fato de uns mandarem e outros obedecerem, sem que haja hierarquia formal, constitui uma violência, diz Almeida.
Os verdadeiros educadores e dirigentes universitários, continua Almeida, não se conformam em ver esta questão tratada nas páginas policiais dos meios de comunicação.
A proibição do trote e a eliminação das suas várias formas de violência, como uma introdução crítico-reflexiva à vida universitária, é uma condição fundamental para a própria defesa da universidade como um espaço da democracia, do humanismo e da cultura, finaliza Almeida.
O trote violento também foi tema da sessão de terça-feira, na Câmara de Vereadores de Londrina. Foi aprovada em segunda votação uma lei proibindo o trote em áreas públicas. O projeto de lei define como trote qualquer manifestação estudantil que, para recepcionar calouros, utilize brincadeiras violentas, com agressões físicas.
O Regimento Geral da UEL recebeu mudanças esta semana, também com relação ao trote. O Conselho Universitário proibiu qualquer manifestação estudantil que configure agressão física, psicológica, moral, ou constrangimentos ou coação, dentro ou fora dos limites da universidade.
O Conselho Universitário também proibiu o uso de materiais ou meios que possam causar danos pessoais, psicológicos, lesões corporais ou morte. Foi criada a Semana de Recepção aos Calouros e a Gincana dos Calouros que ainda terão a programação definida.





