Festa sim, trote não!
Festa sim, trote não!
Vale brincar e comemorar. O trote e a violência estão proibidos, pois a recepção aos calouros não pode ser uma atitude que comprometa a integridade física e moral dos novos universitários
Trote e Violência Basta! Com esse slogan, a Universidade Estadual de Londrina pretende coibir as práticas violentas que caracterizam a maioria dos trotes na cidade. Vale brincar e comemorar, mas nada de atitudes abusivas que possam comprometer a integridade física e moral dos calouros. A Resolução Nº 89/99 proíbe o trote na UEL. E, a partir de agora, quem praticá-lo está sujeito a penalidades que podem chegar à expulsão no caso de universitários veteranos. Fora do câmpus, uma Lei Municipal também proíbe o trote em áreas públicas.
A ordem é recepcionar os novos estudantes através de confraternizações civilizadas. Os novos alunos devem ser recebidos como produtores de conhecimento, não tem sentido submetê-los a práticas violentas ou constrangedoras, como a cobrança de pedágios em semáforos da cidade, comenta o professor Márcio José de Almeida, vice-reitor da UEL.
O professor, também titular da Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação (CAE) ressalta que proibir o trote não significa proibir a alegria. Pelo contrário, é estar defendendo o direito à comemoração, enfatiza.
A proibição do trote foi reforçada pelo sentimento de indignação com relação aos últimos incidentes envolvendo recepção de calouros em universidades do país. Em janeiro de 99, em São Paulo, um calouro do curso de medicina da USP morreu afogado em uma festa de confraternização com os veteranos, e o caso continua sendo investigado. Entre muitos outros exemplos, este acontecimento serve para mostrar que a combinação de bebida com violência pode resultar em acidentes fatais.
O trote foi proibido mas a festa deve continuar. A Universidade apóia todas as atividades que estimulem a prática de cidadania, como as tradicionais campanhas de doação de sangue organizadas pelos alunos do curso de medicina. Na semana de recepção aos calouros, que acontece entre 21 e 25 de fevereiro, a UEL inclusive programou uma série de atividades que visam integrar os novos alunos ao câmpus. Uma gincana entre os vários centros também está prevista para o início das aulas.
O vice-reitor Márcio Almeida explica que a decisão de eliminar a prática do trote não foi arbitrária. Durante todo o ano passado, foram realizadas reuniões com representantes dos estudantes para se chegar a um consenso. Nos reunimos com os futuros veteranos e representantes dos Centros Acadêmicos. O movimento estudantil apóia a decisão de acabar com a violência, diz.
O professor acrescenta que não existem meias-palavras para tratar do assunto. O trote foi terminantemente proibido. Não tem mais trote de qualquer espécie, sejam eles culturais, cidadãos ou outras denominações do gênero. Nós apoiamos e estimulamos quaisquer atividades que venham a enriquecer a recepção aos novos alunos, incluindo confraternizações, gincanas ou festivais. Mas o trote, com essa conotação agressiva que carrega, não vai mais acontecer, garante.





