Curitiba acabou se especializando em manifestações ''exóticas'' também por conta do preconceito contra a festa popular, segundo o historiador curitibano Christiano Ferreira. ''São carnavais segmentados que nada têm a ver com o carnaval. O curitibano é um dos povos mais preconceituosos que tem no Brasil. E tem preconceito com o povo. Com tudo que lembre povo, esse preconceito é muito forte'', avalia.
Para Ferreira, a tentativa de reforçar a imagem de uma cidade ''européia'' acaba cerceando manifestações populares tipicamente nacionais, como o carnaval. ''Curitiba se vê de uma maneira muito complacente. Aqui não tem problemas. E isso afasta aquilo que é popular, e que lembre qualquer coisa relacionada com a imagem do Brasil'', explica.
O historiador, que pesquisou a cobertura do carnaval curitibano feita pela imprensa nas últimas décadas, lembra da proposta de um carnaval de etnias para a cidade apresentada anos atrás. ''Tudo o que é relacionado à cultura em Curitiba tem que ser ucraniano, polonês, italiano. Temos sempre que buscar nossas raízes eslavas. Isso é uma constante'', observa. ''Já o baile de carnaval com desfile da 'bem bolada' não pode porque a gente fica com vergonha'', completa. (D.R.)

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