Ainda vinculado ao calendário cristão, o feriado do carnaval que se comemora atualmente teve origem como uma reação ao período de reclusão e silêncio chamado de quaresma. De acordo com o diretor do curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mário Antonio Sanches, o carnaval não pertence ao calendário cristão mas foi motivado por ele. Já atualmente conserva-se pouco dessa conotação inicial. ''Nós temos hoje uma sociedade que não é mais católica. É pluralista, tem outras religiões ou está sem perspectiva religiosa e o feriado entrou no calendário civil sem se lembrar da parte religiosa'', observa Sanches.
Segundo o estudioso, a quaresma representa um período de transição. ''Entrar na quaresma é entrar para passar. Para chegar à Páscoa, que é realmente importante. Tem uma simbologia muito forte de transição para algo maior'', explica. Para Sanches, retiros e festas criadas para contrapor o carnaval não trazem consigo a simbologia original. ''São uma reação à festa pagã do mesmo modo que a festa pagã reage à penitência. Os religiosos fazem o retiro espiritual para reagirem aos três dias de bagunça mais do que por uma simbologia própria'', avalia.
E na medida em que o carnaval vem avançando a quarta-feira de cinzas, como ocorre em algumas partes do Brasil, ele vai perdendo o sentido original de reação à festa religiosa, aponta Sanches. ''Torna-se apenas uma festa com finalidade em si mesma. Para muitas pessoas isso já não significa nada. E pode ocorrer de perder a relação com a quaresma no momento em que se tornar uma data fixa'', afirma. O feriado de carnaval é móvel porque segue o calendário cristão, que é regido pela lua e portanto não coincide com o calendário civil. Este é regido pelo calendário solar. (D.R.)

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