'Festa dos sonhos veio aos 80 anos'
Dona Diva Iracema Mondin Pires, de 80 anos, é um exemplo de vivacidade e motivação diante do envelhecimento. Para amigos e familiares ela é referência de como a terceira idade pode ser uma fase feliz da vida e muito, muito movimentada. ''Acho que o idoso não pode se limitar a ficar dentro de casa. Ele precisa ter o convívio com outras pessoas, para abrir a própria cabeça, vislumbrar novos horizontes ou só para espairecer. É preciso fazer atividades'', disse a simpática gaúcha, que há 11 anos mora em Curitiba.
''Acho que tenho capacidade para muita coisa. Sou muito solicitada, já dei palestras, participei de oficinas de dança, teatro e musicoterapia. Faço crochê, preparo doces e tortas. Faço minhas compras, pago minhas contas, vou a consultas médicas. Não dependo das pessoas'', conta ela, que mora sozinha, desde que ficou viúva, há 26 anos. ''Sei que minha vida é diferente da maioria dos idosos. No meu edifício moram muitos, mas nenhum deles sai para a rua, vai ao teatro. Isso é estranho, acho que estão perdendo muito da vida.''
Dona Diva, que é professora aposentada de Educação Artística, organizou quadrilhas juninas, encontros e festas, no Sesc Água Verde, e até pouco tempo fazia aulas de teatro no local. ''O curso acabou. Uma pena. Minha vida sempre foi muito voltada para a arte, já projetei até carros alegóricos. Eu era muito ativa. Hoje, por causa da artrose e glaucoma que me atacaram, diminuí o ritmo. Mas ainda vou duas vezes, por semana, ao Sesc, para participar do coral'', explica Diva, que tem dois filhos, quatro netos e dois bisnetos.
Uma das netas organizou uma festa surpresa para seu aniversário de 80 anos, no final do ano passado. ''Estiveram presentes 83 pessoas, quase 40 eram amigas da terceira idade. A festa foi linda, teve fogos, pétalas de rosa, valsa, cerimonial. O tema foi a minha vida, desde quando conheci meu marido até hoje'', relata. ''Não vim de família rica, então nos meus 15 anos, eu não tive festa, só um chazinho para a família. Depois quando me casei, em 1942, meu pai tinha falecido, então optamos por não festejar.''
''Daí, quando fizemos 25 anos de casados, o meu marido não quis festa, só reunimos uns amigos, e depois já 50 anos casada com ele, resolvi que teria festa, mas aí nasceu um neto. Prometi a mim mesma que se eu aguentasse até os 80 anos, a minha festa sairia'', continua. ''E não é que aconteceu. Passei a vida esperando por esta festa e ela foi melhor ainda do que eu imaginava. Foi emocionante''. (F.G.)





