Festa de gaúcho tem axé baiano
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Paulo Pegoraro 
Salete BramatiJocemar Braz e Paloma Ribeiro, novas majestades de CascavelEm Cascavel, onde tradicionalmente é realizado um dos melhores carnavais de rua do interior do Estado, desta vez ecoará o axé baiano, da Banda Tomate com Laranja, com 16 integrantes e conhecida em Salvador (BA) como vitamina C do Carnaval. A festa arrasta anualmente milhares de pessoas para o Calçadão, apesar da predominância de gaúchos, oriundos de regiões do Rio Grande do Sul, onde o Carnaval não tem grande popularidade.
A Secretaria de Cultura introduziu outras novidades este ano, como bailes populares também no Parque Ecológico. Também, como fato novo, surgiu o novo Rei Momo, Jocemar Martin Braz, pintor, 25 anos, 1,66 metro de altura e 123 quilos. Ele substituiu Joacir de Oliveira, que se apossou do trono, cetro e coroa e não os largou durante 15 anos contínuos de reinado absoluto, alegre e democrático. A nova rainha é Paloma Dias Ribeiro, representante do mais antigo clube da cidade, o Tuiuti.
O Carnaval de Cascavel é realizado com investimento de R$ 45 mil da iniciativa privada, principalmente de bares e lanchonetes do Calçadão, e uma distribuidora de bebidas - todos faturam alto com a festa. Três dos cinco blocos que participarão de desfile receberam ajuda de R$ 3 mil para cada um, e os outros, menores, R$ 1,5 mil cada. Tradicionalmente, os mais fortes são dos clubes Tuiuti e Comercial e o Unidos de Cascavel, o mais popular.
A programação foi aberta anteontem com pagode no Parque Ecológico, o que se repetirá ontem, quando foram entregues as chaves da cidade ao Rei Momo, mas a abertura oficial do Carnaval será hoje, às 21 horas, no Calçadão, com baile e apresentação da Banda Tomate com Laranja. Amanhã, às 20h30, haverá desfile de blocos no Calçadão; segunda-feira será o dia da festa no Parque, com a banda, que voltará a se apresentar terça-feira às 20 horas no Parque Ecológico, onde também haverá desfile de fantasias.
O secretário de Cultura, Luiz Ernesto Pereira, afirma que o Carnaval já está enraizado na cultura do cascavelense, depois de quase uma década de festas ao ar livre. Luiz Ernesto salienta que as famílias saem às ruas todas as noites e, para os que participam mais ativamente, nos blocos, por exemplo, guardadas as proporções o frenesi é assemelhado ao que ocorre nas grandes escolas de samba cariocas. E, de repente, este ano a banda baiana pode até acabar misturando axé com xote, para delírio geral.


