Férias na praia exigem atenção com as crianças
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segunda-feira, 04 de janeiro de 2010
Juliana Gonçalves<br> Especial para a FOLHA 
No verão férias, a praia é o destino de grande parte das pessoas. Mas, quem tem filhos pequenos, precisa tomar cuidados extras para não levar para casa más lembranças desse período.
Apesar de divertida, a praia esconde muitos perigos que devem ser respeitados. Segundo dados do Ministério da Saúde, só em 2007 foram registradas no Brasil mais de cinco mil mortes de crianças com até 14 anos, das quais 1.382 foram vítimas de afogamento. ''Esta é a segunda principal causa de morte de crianças por acidentes, ficando atrás apenas dos de trânsito'', revela a coordenadora de projetos da organização não governamental Criança Segura, Ana Beatriz Bortorim.
Porém, o mar não é o único problema. Passeios pela areia desacompanhados de adultos podem revelar riscos sérios. O repórter fotográfico da FOLHA Theo Marques flagrou dois meninos em uma brincadeira perigosa em cima de uma grande pedra, na beira da praia (veja foto nesta página).
Ana Beatriz lembra outros riscos que cercam as crianças na praia, como as queimaduras solares e as intoxicações através de alimentos e da água do mar. ''Em muitos casos, as queimaduras provocadas pelo sol nas crianças chegam a ser de segundo grau'', afirma.
Esses problemas, de acordo com a coordenadora, são resultados da falta de atitude preventiva de pais e responsáveis. ''Todo acidente pode ser prevenido através de atitudes acessíveis, que não custam caro e podem salvar vidas'', garante.
A pediatra Maristela Gomes Gonçalves concorda que é possível evitar alguns problemas. ''Contra as queimaduras solares, basta usar um bom filtro solar. Nas crianças menores, é aconselhável também o uso de bonés e camisetas'', sugere.
Segundo ela, é importante usar protetores solares específicos para as crianças. ''Eles podem ser usados mesmo nos bebês porque passam por avaliações rigorosas e não contêm produtos químicos que agridem as crianças'', explica. Maristela lembra que o produto deve ter fator de proteção 30 ou maior e ser aplicado a cada duas horas e sempre que a criança sair da água. ''O horário ideal de exposição ao sol é antes das 10 horas e após as 16. Nos horários próximos ao meio-dia, os pais não devem manter as crianças na praia, nem mesmo sob barracas'', aconselha.
A médica indica que os pais evitem as praias contaminadas, já que é difícil as crianças não ingerirem água ao brincar no mar. Fora da água também existem riscos. ''A areia pode transmitir parasitose, por isso, é importante deixar os pequenos sobre toalhas ou procurar áreas mais limpas para que elas possam brincar'', acrescenta.
Intoxicações e diarréias são comuns nas crianças nessa época do ano. Por isso, segundo Maristela, uma das maiores preocupações que os pais devem ter na praia é com relação à alimentação. ''Tem que ter muito cuidado com os alimentos ingeridos na praia, principalmente aqueles comercializados por vendedores ambulantes. Peixe, por exemplo, é um alimento que se deteriora muito facilmente'', exemplifica.
A palavra de quem entende
O Corpo de Bombeiros, responsável pelo trabalho de guarda-vidas nas praias, conhece bem os problemas enfrentados pelos pais que descuidam das crianças. De acordo com o tenente Leonardo Mendes dos Santos, o mais comum são as crianças se perderem dos pais, o que pode ser resolvido com uma pulseira no braço dos pequenos, com o telefone dos responsáveis. ''Mas, o mais preocupante, são os afogamentos. Dos 1.381 atendimentos registrados no litoral paranaense no último verão, 600 foram afogamentos de crianças com até 14 anos'', revela. Segundo ele, a prevenção nesse caso é a supervisão. ''Os pais e responsáveis têm que ficar atentos às crianças. Nunca deixar que menores de 14 anos entrem sozinhos no mar e orientá-los sobre os riscos'', aconselha. Outra recomendação importante é não colocar bóias ou coletes nas crianças porque isso pode fazer com que elas sejam levadas para longe da orla.
O tenente sugere ainda que os pais coloquem os filhos na natação desde cedo. ''E vale sempre lembrar às pessoas que se banhem próximos aos postos de guarda-vidas e respeitem as placas que indicam perigo'', acrescenta Santos.
É preciso atenção permanente
Acidentes no mar costumam acontecer em segundos de distração dos pais. Por isso, é preciso vigilância constante, ensina Ângela Marin, mãe de um menino de 15 anos e uma menina de 11. ''Eu sempre os levei à praia, desde que eram bebês'', conta. ''E a atenção era constante, principalmente com a caçula. A gente não podia tirar o olho porque ela não podia ver água, já ia entrando. Algumas vezes, meu marido teve que se jogar na água, de roupa e tudo, para pegá-la'', lembra.
Ela garante que procurava estar junto quando as crianças entravam no mar e sempre se preocupou muito com o sol. ''Protetor solar e boné eram indispensáveis. Na areia, ficavam sempre debaixo do guarda-sol'', garante. Hoje, a preocupação é reduzida. ''Eles cresceram e preferem ficar na piscina a ir para o mar porque acordam tarde''.


