Barulho de motores, escavações, grandes e pequenas intervenções no trânsito, muitos trabalhadores na rua. Curitiba virou cenário para centenas de canteiros de obras. Não é exagero. No mês de janeiro, estão em andamento 101 obras só de pavimentação. Se for considerar aquelas que já estão com ordem de serviço emitidas, o total sobe para mais de 300. A lista fica ainda mais gorda se forem incluídas as intervenções feitas em creches, unidades de sa© úde, escolas, iluminação pública e reparos em calçadas.
Curitiba tem, em média, 680 obras em execução, por dia. Do orçamento de R$ 300 milhões da Secretaria Municipal de Obras, para 2007, R$ 250 milhões serão destinados para esse fim, dos quais R$ 185 milhões já possuem contratação.
De acordo com o secretário de Obras, Mário Tookuni, o tempo para conclusão varia entre 30 dias e seis meses. ''Não programamos um aumento de obras em janeiro, mas aproveitamos este mês, de férias escolares, que a cidade costuma esvaziar e o fluxo de carros é menor, para acelerarmos a execução delas'', explica o secretário.
Em dezembro do ano passado, a secretaria paralisou obras em alguns locais, a pedido do comércio - para não atrapalhar as vendas de fim de ano -, que só foram retomadas na segunda semana de janeiro. Algumas delas são os serviços de pavimentação nas avenidas Mascarenhas de Moraes, no bairro Atuba, Getúlio Vargas, na Água Verde, o viaduto da Marechal Floriano, no Hauer e reparos nas calçadas da avenida Marechal Deodoro, no Centro.
Uma obra de drenagem aguardada, há muito tempo, pelo comércio da avenida Batel, pode ser concluída nos próximos meses. Na altura da Rua Bento Viana, a antiga tubulação das galerias será trocada por outra de grande porte, de um metro e meio de diâmetro, para solucionar o problema de inundações. Lá, homens trabalham, de segunda a sábado, das 7h30 às 17 horas. ''Basta chover para a água chegar a cobrir a calçada e até invadir lojas. A água fica acumulada, por dias, e se torna um incômodo para os clientes e para quem trabalha aqui'', relata a proprietária de uma loja de roupas íntimas, Lires Forlan, 51 anos.
''Alguns lojistas fizeram uma reunião para embargar a obra. Mas acho que deviam dar graças a Deus por finalmente fazerem esta obra. Vai melhorar a vida de todos nós'', disse Lires Forlan. Uma intervenção ainda maior é executada na Avenida Presidente Kennedy com a Rua Eduardo Carlos Pereira, mais conhecida como a rápida do Portão. A construção da trincheira vai acabar com a intersecção na via e criar uma passagem em desnível, o que vai evitar o engarrafamento na ''hora do rush''.
A obra que iniciou, há menos de duas semanas, atrai o olhar de moradores curiosos, que chegam a arrumar um banquinho para observar, de perto, a execução dos trabalhos. ''Isso aí vai ficar muito bom, porque vai desafogar o trânsito'', elogia o servidor público aposentado Agnaldo Kleinke, 67, morador do bairro, ''supervisionando'' a obra ao lado de um amigo.
Em Santa Felicidade, a antiga ponte de madeira sobre o rio Cascatinha, na rua Ângelo Trevisan, será substituída por uma de concreto armado e mais duas calçadas, dentro de três meses. ''Quando o rio subia os pranchões de madeira se soltavam. Só podia passar um carro por vez'', conta a psicopedagoda Maria Cirlei Rissenha, 54, que mora na rua há quase 30 anos. ''Era uma reivindicação dos moradores. A ponte é muito importante porque faz a ligação entre a Manoel Ribas e o cemitério, além da rua ter uma escola e uma igreja. Estamos satisfeitos'', disse ela.
''A obra traz problemas temporariamente, mas o benefício é a longo prazo. Trabalhamos para melhorar a velocidade dos ônibus, segurança, trafegabilidade, drenagem e mobilidade. Reclamações e elogios sempre irão existir'', pondera Tookuni, lembrando que há um aumento de 35 mil veículos, por ano, em Curitiba. ''Os comerciantes, às vezes, enxergam como uma redução da clientela. A gente não consegue agradar 100% das pessoas. O efeito da obra é semelhante a uma reforma em casa, incomoda, mas é necessária para se viver uma fase melhor'', conclui ele. Em 2006, foram investidos R$ 260 milhões em cerca de 1.150 obras.

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