Fenômeno chega às escolas
Londrina não está na rota apenas dos invisíveis rios voadores, mas também do projeto que leva o mesmo nome. A segunda etapa do projeto a primeira foi a coleta de amostras que buscou entender melhor o fenômeno consistiu em um trabalho de educação ambiental que selecionou seis municípios ao longo da rota dos rios voadores. Além de Londrina, foram escolhidas Brasília, Chapecó (SC), Cuiabá (MT), Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG).
Em parceria com autoridades locais, o projeto inseriu aulas sobre os Rios Voadores nas escolas e, além do fornecimento de material didático, ministrou oficinas de treinamento para os professores. A ação envolveu 36 professores e mais de três mil alunos dos colégios Vicente Rijo, Newton Guimarães, Nilo Peçanha, Universitário e a Escola Interativa.
Os professores Saulo Gaspar, de Geografia, e Carla Roveri, de Ciências, ambos do Colégio Universitário, revelam que o assunto agregou conhecimento às áreas de ensino em que trabalham. "De repente, segunda-feira, aconteceu toda uma precipitação, cuja dinâmica aconteceu desde a Amazônia. E como foi importante para nós que tivéssemos esse acontecimento aqui", disse Gaspar.
Já a professora Carla conta que o assunto entrou para o calendário letivo especialmente no primeiro bimestre, que contempla o Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março. "Acho interessante porque desperta esse olhar dos estudantes para a Floresta Amazônica, que está tão distante, mas da qual temos dependência também", ela avalia. "Eu encontrava com os pais e eles falavam que o filho tinha chegado em casa falando de Rio Voador."
José Lázaro Filho, do 9º ano, foi um dos estudantes da primeira geração a aprender sobre Rios Voadores em Londrina. Em 2011, ele conheceu Gérard Moss, piloto do avião monomotor e um dos idealizadores do projeto. Lázaro participou da palestra e da exposição feita na cidade e relata a surpresa com o tema: "A gente a princípio pensa que a água que evapora em Londrina chove em Londrina, mas pode chover longe também. As nuvens andam", atesta. "A água evapora na Amazônia, que deve ficar a uns três mil quilômetros daqui, para vir chover aqui em Londrina."
Entre os aspectos que mais chamaram a atenção de Margi Moss, durante pouco mais de cinco anos do Projeto Rios Voadores, ela destaca a iniciativa educacional: "Levar o material impresso e o conhecimento para os professores foi muito gratificante. Eles vibravam ao entenderem mais sobre um assunto bastante lógico e evidente, mas sobre o qual nunca haviam pensado ou ouvido falar", diz Margi. Era tangível o entusiasmo deles ao saberem que a Floresta Amazônica, tão distante, tem um impacto direto em suas vidas, sim."





