Matinhos - Quem passa a temporada de verão no Litoral paranaense, tem a oportunidade de presentear o paladar com quitutes de diversas partes do Estado. A ''Feira Sabores do Paraná'', em Matinhos, promete ser uma viagem gastronômica, com itens do tipo colonial. Entre os mais procurados estão os queijos e vinhos; embutidos e defumados; doces e geléias; conservas; biscoitos e bolachas; cachaças de qualidade; temperos; orgânicos; licores e sucos; sorvete e café gourmet. Destaque também para o artesanato das associações de artesãos do Litoral e exposição de orquídeas de Morretes. A feira faz parte do Programa de Agroindústria Familiar ''Fábrica do Agricultor'', que promove o fortalecimento do setor no Estado. Cerca de 250 famílias estão expondo seus produtos no evento, que segue até domingo próximo, no Centro de Convenções de Matinhos, a partir das 16 horas.
O visitante tem a chance de degustar quase tudo que está à venda.''São artigos que o consumidor não encontra em grandes redes de comércio porque são opções diferenciadas de sabores, feitas em baixa escala. Para alguns expositores, a feira é a única forma de comercialização e de posicionamento no mercado'', comenta o coordenador do evento, Abdel Naser. O programa contempla a participação em sete feiras - Matinhos, Ponta Grossa, Cornélio Procópio, Cascavel, Curitiba, Maringá e Londrina.
Um dos estandes mais concorridos é o da Cracóvia, da família Machulek. O salame de pernil suíno, um dos símbolos da colonização ucraniana no Paraná, começou a ser produzido artesanalmente em 1970. Desde 2005, o negócio está em expansão e as vendas vão além da cidade de origem, Prudentópolis, no Sudeste. ''É comum encontrar a Cracóvia à venda nas estradas, mercados municipais e nas feiras'', indica o representante da empresa, Marcelo Kley. O salame de 600 gramas custa R$ 12. A versão frango sai no mesmo valor.
Os amantes da pimenta tem endereço certo no Litoral: o estande da Pimenta da Horta apresenta mais de 35 tipos do condimento, que já é o terceiro mais consumido pelos brasileiros, apenas atrás do alho e da cebola. O pipericultor Amauri Seifert gosta de atender pessoalmente a clientela, inclusive na Chácara Itália, em Cambé, ao Norte, onde mantém a plantação de pimentas há quatro anos. Tudo é feito no capricho. Os xodós são o doce de Dedo-de-Moça e o chocolate com pimenta (produzido a partir do outono). Há uma enorme variedade de itens entre molhos e conservas em embalagens de diversos tamanhos e graus de ardência. Os preços variam de R$ 3 a R$ 18.
O vencedor do Concurso Café Qualidade Paraná de 2007, o cafeicultor Ronieri José Mazetto, está animado com a feira e oferece cafezinho a R$ 1, passado na hora, com grãos do tipo gourmet, da marca própria Premiato. Os cafezais são em Tomazina, no Norte Pioneiro. ''O diferencial do café está nas características ideais do local de produção, rígida seleção de grãos, além do uso exclusivo de grãos maduros para o preparo do blende'', conta Mazetto. Todas as fases, desde o plantio até o embalamento do pó de café, são realizadas na Fazenda Natureza. ''Garantimos a qualidade'', afirma o cafeicultor.
A família Lazarino, de férias em Matinhos, visitou todos os estandes e levou para casa pimentas, mandioca chips (cortadas fininhas e fritas), sorvetes, embutidos e flores. ''O preço está barato e a qualidade é muito boa. Delícias artesanais são mais saborosas e aqui encontramos de tudo um pouco que o Estado produz. Adorei a feira'', afirma Rinaldo Lazarino.
Para os vegetarianos, ou simplesmente adeptos a uma vida mais natural, há opções chamativas de soja como o capuccino sem lactose. O pote de 300 gramas sai a R$ 5. Ainda nesta linha, a linguiça; salgadinhos; grão torrado salgado e cereal. Os produtores, de Uraí, a Kisabi Alimentos, também oferece ao mercado a noz macadâmia ''in natura'' e também em sorvetes (R$ 3). Somente 15% da noz é aproveitada pela indústria e embora o Brasil seja um grande produtor da nogueira macadâmia, boa parte das safras são exportadas. ''A iguaria serve para cozinhar e temperar saladas, além de conter ômega 7 entre outras propriedades nutricionais importantes para o equilíbrio da saúde'', aponta o engenheiro agronômo Marcelo Kobiraki, da terceira geração da família japonesa de agroindustrias.
No ano passado, primeira edição da Feira Sabores do Paraná, no Litoral, foram comercializados R$ 250 mil. Para este verão, a expectativa é de ganhos na casa dos R$ 300 mil. As sete edições em 2008 rendeu ao setor da agroindústria no Estado cerca de R$ 20 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

mockup