Está impossível passar pela Praça Osório, no centro de Curitiba, e não ficar tentado a levar para casa pelo menos um artesanato. A Feira Especial de Natal, promovida pela prefeitura, reúne 57 barracas com grande variedade de produtos de decoração natalina, presentes, guloseimas, artigos pessoais e até mesmo uma casa do Papai Noel, com direito ao bom-velhinho, para ouvir os desejos da garotada. As opções de preço vão desde os bolsos do tipo ''Natal da lembrancinha'' até aqueles com artilharia mais pesada.
Mas o consumidor precisa preparar os pés e os olhos: vale à pena parar de barraca em barraca e conhecer as especialidades de cada uma. Garimpar é a alma do bom negócio.
''Ainda dá tempo de comprar muito artesanato de boa qualidade, mas quem deixar para a última semana é capaz de não encontrar mais nada'', prevê o artesão Paulo Roberto Somma. Para ele, as vendas estão mais aquecidas que no ano passado. Das dúzias de presépios, confeccionadas desde junho, restam apenas seis, vendidas na média de R$ 60. O artigo é feito de gesso, serragem e pintado por meio de técnicas especiais. A oposta de Somma está na crise mundial. ''Como a decoração importada encareceu com a alta do dólar, o artesanato nacional é uma opção bonita e barata tanto para presentear como para decorar a casa para a ceia e o ano-novo'', comenta, ao indicar os ímãs de geladeira com motivos natalinos. Cada um sai a R$ 1.
Pelo mesmo preço, o prendedor de guardanapo em pedra é a novidade na barraca do Empório Metropolitano - programa de geração de renda para o microprodutor. Catorze artesãos, de diversas especialidades, revezam-se no plantão de vendas. Uma delas é Miriam Ehlke, que participa da feira há 15 anos vendendo porcelanas pintadas à mão. ''Como a venda é direta com quem faz, o preço da feira é atrativo. O movimento está ótimo'', comemora. Para presentear, destaque para as velas decorativas (de R$ 3 a R$ 22); conjunto de 3 toalhas rendadas e com aplicações (R$ 85); canecas natalinas (R$ 23), trilhos de mesa (R$ 65) e pratos de parede em porcelana (R$ 20).
A autônoma Sandra de Andrade vem todos os anos à feira e está gostando dos preços. Neste Natal ela dará poucos presentes e na faixa dos R$ 10 a R$ 15 porque decidiu poupar. ''Sempre que possível escolho o artesanato para presentear. É um trabalho que deve ser valorizado'', ensina. A reportagem encontrou a consumidora enquanto ela estava de olho em uma mini Santa Ceia feita em bambu e palha de milho. O valor do produto era compatível ao desejo dela. Mas se ela estivesse disposta a pagar entre R$ 25 e R$ 45, poderia levar o mesmo artesanato em tamanho maior. Um trabalho primoroso de paciência e delicadeza ao manejar a palha de milho e pintá-la.
O dono da barraca é o artesão Santo Strapasson, que há 16 anos vive do ofício. O forte das vendas são as decorações, em especial guirlandas (R$ 28 a R$ 48), arranjos de mesas com velas (R$ 25 a R$ 55) e pingentes de palha para a árvore (R$ 2). Ele conta que começa em janeiro os preparativos para a Feira Especial de Natal, como trançar o sisal e tingir as flores. ''Toda a produção está sendo vendida e aposto num aumento de 10% em relação ao ano passado'', aponta Strapasson.
Se a esta altura das compras o consumidor estiver com fome ou sede, pode fazer uma boquinha na área central da Praça e degustar iguarias distintas. Tem vatapá, pierogue, churrasco, pastel, doces diversos, empanadas, água-de-côco, suco de milho (e tudo o mais com o cereal), entre outras tantas calorias...Se depois do lanche, o fôlego estiver a todo o vapor, é uma boa pedida visitar as barracas de gostosuras. Se os quitutes resistirem até as festas, sem dúvida, ficarão bonitos à mesa.
Bolos de Natal recheados com nozes e avelãs não saem por menos de R$ 18. Se tiver decoração maciça de chocolate prepare-se para pagar R$ 38. Sem contar as bolachas de mel confeitadas com cobertura de glacê (tradicionalíssimas); panetones (sim, podem ser trufados!); pão-de-mel; chocotones e bolos de frutas. Para beber, os licores artesanais são a grande pedida da Feira. A garrafa de 275 ml sai por R$ 17. Com embalagem especial sobe para R$ 35.
Se o consumidor quiser presentes sem motivos natalinos, não terá problemas em encontrar panos de prato (média de R$ 4, mas tudo é negociável); canecas; artigos com escudos de times de futebol; bolsas, sabonetes e tantos outros produtos de uso pessoal.
A feira também conta com a tradicional Casa do Papai Noel, onde crianças e turistas podem tirar fotos com o ''bom-velhinho''. Em entrevista à reportagem, o animador de festas Marlon de Oliveira disse que encarna o personagem há 33 anos e herdou do pai o gosto pela atividade. Como manda o figurino, ele ouve os apelos infantis e gosta quando algum pequeno pede a ele paz e amor na Terra.
A foto sai entre R$ 7 e R$ 10, mas a mensagem dele para este Natal é gratuita e de coração. ''Desejo que toda a criança tenha o aconchego do lar, que toda a família seja feliz, que os seres vivam em harmonia com a natureza e que o amor que acaba de nascer seja um presente de Natal''. Quando a reportagem da FOLHA saiu da Casa, deixamos lá um menino, provando que sonhos não acabam quando se acredita neles.
Serviço:
A feira especial de Natal funciona diariamente das 10 às 22 horas, na Praça Osório.
Na Praça Santos Andrade funciona das 10 às 20 horas, de segunda a sábado.
Até 23 de dezembro.

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