Nem bem começa o expediente e uma multidão já aguarda o preparo do quentão em uma barraca na Praça Osório, no centro de Curitiba. "O certo é abrir às 10 horas, mas, como o povo vê a gente fazendo, não tem como" conta a professora Monica Krygoski, que, nesta época do ano, trabalha na feira de inverno comercializando quentão e pinhão. Enquanto os demais comerciantes se arrumam com tranquilidade, ela se adianta em bater a gemada que acompanha a bebida. São mais de 20 litros vendidos por dia, além de outros 30 quilos diários de pinhão. Na opinião dos vizinhos das outras barracas, esse é o ponto mais movimentado da feira. Para Mônica, "quanto mais frio melhor".
Esse não é o único segmento que comemora a chegada da estação mais fria do ano em Curitiba. Para a artesã Cleonice dos Santos, que produz peças de lã, como casacos, gorros e cachecóis, essa feira só perde em lucratividade para a de Natal, "por causa dos presentes", explica. Enquanto nas demais feiras, a média de vendas era de três a quatro peças por dia, nesta época do ano esse número é até dez vezes maior. Para atender a esta demanda, Cleonice começou a se preparar ainda no ano passado, logo após a última feira de inverno, quando o preço da lã costuma ser mais barato. "Se não começa cedo, não dá conta", pondera.
A realização de feiras temáticas em determinadas épocas do ano já é tradição na capital paranaense há mais de dez anos. Ao longo do ano são realizados quatro eventos diferentes na Praça Osório, onde se reúnem 200 comerciantes em 57 barracas, e na Praça Santos Andrade, onde são 70 feirantes estão distribuídos em 20 barracas. São feiras de Natal, de Páscoa, de primavera e inverno. Nessas ocasiões, são oferecidos produtos artesanais, decorativos e comidas típicas variadas, que contemplam diversas etnias, como as empanadas chilenas e o pierogui ucraniano.
Para os funcionários da barraca de comida baiana, a feira de inverno costuma ser a mais lucrativa do ano. O motivo, segundo o atendente Diogo Xavier, 17 anos, seria a procura dos clientes por comidas mais quentes, como acarajé e vatapá. "O pessoal não busca nada gelado, vem só pra comer", afirma ele, que veio da Bahia há dez anos, mas ainda sofre com o frio severo que encontrou no sul do País.
A alguns metros dali, a artesã Santina Ramos faz conjecturas a respeito da freguesia que por ali passa. Segundo ela, os clientes da feira de inverno são, em sua maioria, pessoas que moram ou trabalham nas proximidades, um público diferente daquele que frequenta a sua barraca na feira de domingo, no Largo da Ordem, grande parte de turistas. Seus produtos são pantufas, que têm grande procura nesta época do ano em que os pés costumam ficar gelados. Desde que a feira começou, ela conta que vende uma média de sete pares por dia, número que considera bastante expressivo. "O pessoal tá animado e eu mais ainda", comemora.
Apesar da percepção da artesã, a feira atrai também fregueses de fora, como a aposentada Rachel de Almeida, de Itapoá (Santa Catarina), que decidiu aproveitar o dia mais frio do ano em Curitiba, ontem, se deliciando com a dobradinha típica de pinhão e quentão. "Gosto de curtir o frio, quero experimentar de tudo", anima-se ela. Ao seu lado, o casal Wanderley e Lidvida Pereira, de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba), tenta aquecer as mãos junto ao copo da bebida. "Quanto mais frio, mais a gente toma quentão", brinca ele, que garante que vem a Curitiba para curtir todas as feiras do ano.
Além das atrações gastronômicas e dos produtos voltados para o frio, também é possível encontrar na feira roupas típicas para as festas juninas. Trajes de noiva, de caipira, chapéus e, até mesmo, instruções para passos de quadrilha são encontrados na barraca de Maria de Lourdes, que aposta na tradição dos festejos juninos para alavancar as vendas. Na sua opinião, ainda é cedo para esperar um grande movimento. "O pessoal deixa tudo para a última hora", avalia ela, que espera boas vendas no próximo ao final de semana.

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