Se no comércio o Portão mostra sua força, na cultura, ele oculta sua fraqueza. Há quase dois anos, as salas do Centro Cultural do Portão, espaço que abriga o Museu Metropolitano de Arte (MuMa) e o antigo Cine Guarani, estão fechadas, aguardando uma reforma que ainda não foi iniciada. Segundo a Fundação Cultural de Curitiba (FCC), o motivo do atraso é a paralização na transferência de recursos da ordem de R$ 1,1 milhão do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU), gerido pelo governo do Estado, para a prefeitura de Curitiba, sob alegação de que o executivo municipal estaria inadimplente com o Estado.
Enquanto essa situação não é resolvida, o prédio é alvo da ação de vândalos, pichadores e marginais, que utilizam o espaço para se reunir ao cair da noite. A atendente de telemarketing Adriana Medina conta que já foi assaltada no local e hoje prefere andar uma distância maior para passar longe dali. Apesar de nunca ter usado os serviços oferecidos no Centro Cultural, ela acha um desperdício que o espaço esteja fechado. Assim também pensa a estudante de enfermagem Tamara Gasparin, de 21 anos, que se entristece toda vez que passa por ali. ''Já vi filmes, peças e agora tá tudo abandonado'', lamenta. Ela compartilha do mesmo medo de Adriana quando precisa atravessar o local. ''À noite fica cheio de maloqueiros, tenho medo de cortar caminho pelo meio'', diz ela.
Segundo a assessoria da FCC, existe uma expectativa de que em breve o prefeito Beto Richa (PSDB) assine um decreto para transformar o Centro em uma unidade de preservação. Dessa forma será possível vender para empresas de construção cotas do potencial construtivo do imóvel, isso é, os empresários poderão levantar edifícios acima do permitido pela lei de zoneamento e em troca financiarão a reforma do espaço. (A.A.)

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