Fé revitaliza a pequena Lunardelli
Encravada no Vale do Ivaí, a pequena Lunardelli, com seus 5,7 mil habitantes, estava perdendo moradores, que deixavam a cidade desanimados com a falta de perspectiva. A agricultura, base da economia local, foi se acanhando e o município, com 32 anos de fundação, parecia desaparecer.
Mas há seis anos a igreja católica lançou um ciclo de novenas mensais em devoção à Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis e padroeira da cidade. A comunidade passou a se unir em oração coletiva todo dia 22 e em pouco tempo a corrente de fé atraiu devotos de outras localidades. Notícias de graças alcançadas através da santa se espalharam pela região e quando a população de Lunardelli percebeu, estava envolvida por romeiros buscando e agradecendo graças todos os finais de semana.
Líderes da comunidade decidiram estruturar a cidade para receber os visitantes, quando em um certo 22 de maio, dia especialmente dedicado à Santa Rita de Cássia, 20 mil romeiros lotaram as ruas e o modesto comércio local. A falta de sanitários, alimentação e acomodação saltou aos olhos, conforme conta a freira Petronila Maria Batisti, ou irmã Petronila, como é conhecida na comunidade. O que atrai os fiéis é a fé. Eles acreditam profundamente que, através de Santa Rita de Cássia, Deus vai trazer alívio para o sofrimento deles.
Irmã Petronila destaca que a própria igreja se preocupou em construir um Centro de Acolhimento aos Romeiros e pediu ajuda da população. O prédio está em obras, com o salão para 150 pessoas em fase de acabamento. Consta ainda no projeto vários sanitários, salas para catequese e reuniões e outras instalações para atividades religiosas com os romeiros. Também será construída uma loja de lembranças e o setor administrativo do Centro.
A freira atesta a importância do turismo religioso para a retomada do desenvolvimento de Lunardelli. As pessoas pararam de ir embora e estão começando a investir aqui, onde ficam perto da família e mantêm as raízes.
O próprio Centro já gerou 10 empregos e deve expandir as atividades, que vão exigir mais funcionários. Uma segunda etapa do projeto prevê salas de vídeo para a exibição de documentários e filmes com temática religiosa, berçário, cozinha e dormitórios para os padres que vão todo dia 22 à cidade auxiliar nas orações e novenas. Irmã Petronila está otimista e quer ver o complexo pronto até o final do ano. Todo final de semana são pelo menos quatro mil pessoas na cidade, por isso temos que oferecer acomodação adequada o quanto antes. Além disso estamos vendo o movimento crescer dia a dia e precisamos nos adaptar, prevê.
Os comerciantes locais também perceberam a oportunidade de um novo momento econômico. Alguns deixaram as atividades antigas, inclusive agrícolas e estão se dedicando a atender os visitantes. Hoje, Lunardelli tem três restaurantes, quando há pouco tempo nenhum existia na cidade. Pequenas lanchonetes e pensões estão diversificando as atividades e oferecendo almoços, lanches e até jantar. Há quatro meses, um micro-empresário construiu um restaurante com capacidade para 25 mesas à margem da rodovia e já está negociando a compra de um prédio ao lado da igreja para ampliar as instalações para, no mínimo, 70 mesas.
Pequenas lojas de artigos variados, na linha de R$ 1,99, vendem em um domingo a mesma quantidade de peças que demoram um mês para comercializar. Pequenas barracas de produtos caseiros se espalham pelas ruas nos finais de semana.
O fluxo de romeiros está sendo positivo de forma indireta para o proprietário do supermercado Pavam, Vilso Pavam. A clientela dele é formada por comerciantes que estão expandindo o negócio. Donos dos restaurantes e lanchonetes estão comprando aqui, além dos moradores, que antes iam até Ivaiporã fazer compras, comemora. Instalado há dois meses, ele ainda não calculou quanto vendeu a mais do que a matriz, em Lidianópolis, mas aposta tanto em Lunardelli que se mudou com a família.





