Fé, milagre e emoção
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Diogo Cavazotti <br>Equipe da Folha 
Na quadra 03, rua 01, lote 12, com a placa de sepultamento número 3.903 do Cemitério Municipal de Curitiba, está enterrada Maria Bueno. Considerada a santa curitibana, aproximadamente 3 mil pessoas passam mensalmente pela capela, construída em 1.962. Em 2 de novembro, Dia de Finados, são 6 mil fiéis que renovam suas preces no local. Em frente ao túmulo, 2 mil placas com agradecimento por graças recebidas dividem o espaço. A primeira placa é do ano de 1930 e outras vieram dos Estados Unidos. Os devotos acreditam que Maria Bueno faz milagres. Ela morreu de forma violenta no século 19 e desde lá possui fiéis em diversas regiões do mundo.
Elianezethe Souza Santos é a zeladora da capela de Maria Bueno há um ano e meio. Diariamente, das 8 às 14 horas, ela faz a limpeza e a manutenção da construção. Sem receber nada por isso, o trabalho é o pagamento por uma graça recebida. Há cinco anos, uma de suas quatro filhas ficou entre a vida e a morte. Os médicos acreditavam que ela teria apenas três horas de vida. Elianezethe se ajoelhou aos pés da imagem de Maria Bueno e implorou pela vida da filha. Em troca disso, dedicaria sua vida ao legado da santa. Ela desmaiou no local e horas depois sua filha começou a melhorar.
A atual zeladora foi autorizada a ser a responsável pela manutenção após a morte da senhora que tomava conta do túmulo. Elianezethe já tirou dinheiro do bolso para a manutenção da capela. Nos últimos meses recebeu ajuda de alguns fiéis para pintar e trocar o piso. Se eu viver mais 100 anos irei dedicar todos eles para Maria Bueno. A saúde dos meus filhos está ótima, venci uma ação na Justiça que estava parada há 10 anos e um problema no braço do meu marido sumiu. A minha vida melhorou muito. Tenho a santa como minha mãe, conta a zeladora.
Durante este período que toma conta do local, Elianezethe presenciou cenas de muita fé. A mais marcante tem como protagonista uma senhora do interior. O neto estava internado com câncer na próstata e o médico aconselhou que a cirurgia fosse feita no dia seguinte. A avó queria evitar o procedimento e pediu para Maria Bueno a cura do rapaz. Durante a madrugada ele começou a sentir muitas dores. Quando a avó levantou o lençol, uma mancha de sangue assustou os dois. No dia seguinte, novos exames foram feitos e o tumor havia sumido. Ela chegou de joelhos na capela, chorando muito, e agradeceu o milagre.
O túmulo de Maria Bueno atrai pessoas de diversas classes sociais. Aparecem prostitutas, umbandistas, travestis, donas-de-casa e até policiais para rezar na capela. O mito de que a santa não gosta de policiais é mentira, explica Elianezethe. Em 29 de janeiro de 1893, Maria Bueno foi assassinada por um policial no local onde hoje existe uma casa na Rua Vicente Machado.
Uma das fiéis devotas da santa de Curitiba é a dona-de-casa Matilde Lopes. Há três anos ela vai até o túmulo de Maria Bueno pelo menos uma vez por semana. As visitas começaram quando a mãe de Matilde estava com câncer. Emocionada, ela conta que o tumor sumiu e a devoção segue até hoje. Para mim, ela é uma santa mesmo, revela.


