Comemorado ontem, o Dia Nacional do Voluntariado tem como objetivo de valorizar e disseminar a prática voluntária no Brasil. O percentual de brasileiros que realizam alguma atividade voluntária ainda é tímido: 7%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  Em Curitiba, o Centro de Ação Voluntária (CAV) promove o voluntariado com pessoas interessadas em realizar algum trabalho e organizações sociais que precisam de ajuda. Mais de 10 mil pessoas já assistiram às palestras informativas ministradas pelo CAV, com interesse em doar seu talento para alguma organização.
  Lurdinha Drabik, 48 anos, diz-se voluntária desde criança. Ela participou do processo de criação do CAV e até hoje trabalha na instituição. Em entrevista à FOLHA, Lurdinha falou da importância de se comemorar a data.
  O que é o Dia Nacional do Voluntariado?
  É um momento da gente reconhecer as ações das milhares de pessoas, anônimas ou não, que fazem alguma coisa para mudar esse mundo.
  O que podemos comemorar em Curitiba?
  As transformações e todas as diferenças que ocorrem e já ocorreram com a atuação de voluntários nas mais diversas atividades.
  Qual a importância do trabalho voluntário?
  Ele é especial porque está além do que a gente sente como obrigação fazer. A gente trabalha porque precisa, mas o trabalho voluntário vem de um sentimento, de um olhar diferenciado dessas pessoas que, para o CAV, são especiais. É enxergar um pouquinho além do que a gente está acostumado. Às vezes, a pessoa nem precisa estar liagada a uma instituição. Ela pode fazer um trabalho voluntário olhando ao redor da sua casa, da sua comunidade. Olhe no seu bairro, será que a gente não pode orientar as pessoas do bairro como separar o lixo, como economizar a água? A gente tem que estar ligado e atento às situações, o trabalho voluntário pode acontecer a qualquer momento.
  Precisa de algum pré-requisito para ser voluntário?
  Não. Precisa de disponibilidade de tempo, talento, responsabilidade e continuidade, que não pare por aí porque a experiência no trabalho voluntário é um caminho sem volta, a gente não consegue mais ficar sem.
  Você falou em talento. Tem algum específico?
  Qualquer talento. Muitas vezes a gente não imagina que o que a gente faz bem pode fazer bem para alguém. As pessoas pensam que não têm formação ou curso superior, mas não há necessidade disso para ser voluntário. A pessoa pode atuar numa atividade ligada não somente a sua especialidade, muitas vezes você sabe tocar violão, costurar muito bem, escrever e pode ajudar em algum lugar. Temos inúmeros talentos, mas, muitas vezes, não os colocamos em prática.
  Como está o trabalho voluntário em Curitiba?
  A gente não conhece a realidade de toda Curitiba e Região Metropolitana, mas sabemos que existe um universo muito grande de organizações sociais, com muita gente que se envolve e atua no terceiro setor como voluntário.
  Como é o trabalho do Centro de Ação Voluntária?
  As pessoas que não sabem como ser voluntárias procuram o centro para ter essas informações. A gente oferece palestras informativas gratuitas e semanais para que as pessoas recebam as orientações e decidam se já está na hora de se envolver em uma atividade voluntária. Por outro lado, a gente orienta e capacita as organizações sociais para que eles recebam os voluntários de uma maneira cada vez melhor, com mais eficiência e conhecimento, saibam como absorver todo esse talento. Estamos hoje com mais de 200 organizações cooperadas ao CAV, mas nem todas recebendo voluntários. São aproximadamente 80, 100 instituições com vagas para voluntários das mais diversas áreas e atividades.
  Há quanto tempo existe o Centro de Ação Voluntária?
  Neste ano, o CAV completa dez anos de atuação. Ele foi fundado por um grupo de pessoas estimulado pelo Conselho da Comunidade Solidária, que foi um programa social do governo Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de promover a cultura do voluntariado no País. Depois de alguns estudos, percebeu-se que muita gente gostaria de ajudar, mas não sabia como começar nem como procurar uma organização.
  Como você começou a trabalhar no CAV?
  Comecei como voluntária, antes do centro ser constituído juridicamente, quando as pessoas se reuniram para discutir e pensar como seria a atuação do centro, em Curitiba. Fui convidada para organizar a papelada, fazer contato com as organizações e divulgar a atuação de um centro de voluntariado. Quando o centro foi efetivamente constituído, eu fui convidada para trabalhar e estou aqui. Hoje, meu cargo é administrativo-financeiro, mas no começo cuidei muito do relacionamento com as organizações e com os próprios voluntários.
  Você atua como voluntária em alguma organização?
  No momento não. Fui voluntária quando criança. Minha família fazia um trabalho na penitenciária de Piraquara, com os presos que já estavam saindo da prisão. As mulheres ensinavam crochê para as mulheres dos presos, os homens conversavam e tomavam chimarrão e a gente brincava com os filhos deles, além de atividades ligadas a ações religiosas. Já está no
sangue.

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