Acostumado com os anúncios turísticos que colocam o Jardim Botânico como vitrine de Curitiba, o estudante Aurélio Zortea, de 21 anos, espantou-se ao descobrir que o local é bem mais do que a estufa da fotografia. "Não imaginava que era tão grande assim" admira-se. Assim como seu colega de Irati (135 km ao norte de União da Vitória), Sanderson dos Santos, 19 ele não fazia idéia que muitas outras atrações destinadas aos turistas lhes aguardavam no local, como o Jardim das Sensações e o Museu Botânico. "Viemos só pra fazer compras mas descobrimos isso" conta.
Assim como eles, a prefeitura de Curitiba estima que cerca de 300 mil turistas desembarquem na cidade entre o Natal e o Carnaval, todos eles ávidos de atrações, belezas e com uma expectativa moldada pelos relatos de cartões-postais e programas turísticos, que imortalizaram algumas qualidades da cidade como o sistema de transporte coletivo eficaz e o verde exuberante dos parques e praças.
Para atender esse contingente existem dez postos de turismo da prefeitura localizados em locais estratégicos, que fornecem informações aos visitantes. Também os veículos que fazem a Linha do Turismo, que passeia pelos pontos mais visitados da cidade, tiveram sua capacidade ampliada para dar conta da demanda.
Mesmo com todos esses cuidados, às vezes basta um detalhe, um pequeno descuido, para arranhar a imagem da cidade. O turista vai embora, mas a má impressão pode ficar.
Foi o que destacou o casal Valter e Ieda Nogueira, de São Paulo (SP), após visitar a Ópera de Arame, um dos locais mais requisitados de Curitiba, que recebe dezenas de ônibus de excursões todas as semanas. "É bonito, mas a bailarina de arame estava enferrujada", comenta ele referindo-se a uma estátua estilizada localizada no piso inferior da estrutura. Também a professora Marlene Marcos, de Criciúma (SC) lamentou o fato de o elevador da Ópera estar desativado. Acompanhada da mãe, Joaquina da Rosa, de 90 anos, ela conta que foi um grande desafio enfrentar as escadas.
Outro buraco que ficará na programação de alguns turistas é a ausência de um destino que já havia se tornado um dos cartões-postais da cidade, a Rua 24 Horas, desde 2007 fechada para reformas que só serão iniciadas no ano que vem. Quem passar por ali hoje encontrará uma galeria sombria com lojas fechadas e nenhuma atração.
Na opinião do casal Celso e Aline Ogassawara, de Salvador (BA), Curitiba corresponde às expectativas tanto na beleza, quanto na organização e no planejamento. Munidos de mapas da cidade eles marcam os pontos que já foram visitados e os que ainda irão visitar. "No Litoral a beleza natural é o mar, aqui tem o verde que chama a atenção", avalia Celso. Eles foram entrevistados na Torre Panorâmica Brasil Telecom, de onde é possível ter uma visão de 360º de toda a cidade. Apesar da beleza do local, alguns detalhes podem influenciar na avaliação positiva do público, como as diversas goteiras que foram observadas ou os avisos feitos em papéis desbotados e borrados informando o público sobre a proibição de abrir as janelas.
O casal baiano não se prendeu a esses detalhes e preferiu destacar os pontos positivos da cidade, como a eficiência do transporte coletivo e a receptividade dos agentes turísticos. Mas no mesmo local a família Godoy, que veio de Sorocaba (SP) para um casamento, comentava sobre as poças de água.

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