Há aproximadamente 10 anos tive a oportunidade de conhecer pela primeira vez a Fazenda Bimini, em Rolândia, e a família Steidle. Já tinha ouvido falar do trabalho voluntário deles na área de educação ambiental, mas mesmo assim me surpreendi com a proposta do projeto por sua originalidade e aprofundamento dos temas abordados, dirigidos principalmente para crianças e professores. No contexto de uma pedagogia de educação não formal, o pensar é instigado a todo momento e a natureza se torna uma sala de aula a céu aberto. Anualmente, cerca de 4 mil pessoas visitam gratuitamente o local.

Encantou-me e ainda me chama a atenção ver o quanto eles são empenhados em passar adiante a ideia da importância de se preservar a natureza e aprender a educar o olhar para poder apreciar o belo, a mata, as flores, o canto dos pássaros, a cultura indígena e a simplicidade da vida natural, que na verdade é mais complexa e essencial do que pensamos. Em parceria com a Embrapa-Floresta e a Universidade Estadual de Londrina, também são realizadas no local pesquisas com árvores.

Na Fazenda Bimini (que faz referência ao nome de uma ilha encantada onde brota a fonte da eterna juventude, citada em poema do escritor alemão Heinrich Heine), vive-se na prática o que se prega, o que inclui um engajamento político relevante em questões ecológicas que envolvem a cidade como um todo. Há uma coerência admirável entre o pensar e o agir. A cada visita que pude acompanhar, sensibilizo-me com um modo muito pertinente e criativo de se relacionar com a natureza. E sempre é uma experiência nova, cheia de surpresas.

Além da beleza natural do lugar, há a tulha de café que serve de ateliê de artes, ambiente para rodas de conversas (com tocos de árvores utilizados como banquinhos), palco para a apresentação de teatro de sombras e funciona como uma espécie de museu, com antigas ferramentas e utensílios domésticos que mexem com a imaginação dos visitantes. O terreirão de café também ganha destaque com uma série de dinâmicas realizadas no local, pelo interessante relógio do sol e os brinquedos caseiros confeccionados por eles. Recentemente, o velho paiol, com piso de peroba-rosa, se transformou no Cine Paiolzão, onde são exibidos filmes e documentários durante as visitas e para a comunidade geral, nos fins de semana.

As trilhas pela mata são uma diversão à parte, e dependendo do tema a ser trabalhado, são destacados aspectos diferentes de uma natureza exuberante, que merece ser reverenciada. Até uma trilha sensorial já foi organizada para tornar possível aos deficientes visuais explorar um ambiente repleto de descobertas.

Coordenado pelo ambientalista Daniel Steidle, que conta com a participação ativa da sua mãe, Ruth Steidle, uma septuagenária que esbanja vitalidade e lucidez, o trabalho de educação ambiental da Fazenda Bimini dá continuidade aos ideais humanistas apregoados pelo imigrante alemão Hans Kirchheim (1903-1993), pai da dona Ruth, que chegou em Rolândia em 1936 e decidiu transformar em lar o lugar que escolheu para viver a partir da mata derrubada que se transformou em roça de café.

Em 1968, Hans Kirchheim inaugurou a Escola Roland, em Rolândia, que já utilizava a linguagem da arte em prol da sensibilidade humana para ensinar a valorização da natureza. Conhecido pela comunidade como "tio João", até hoje a sua casa é visitada – e admirada. Definitivamente, vale a pena a pena conhecer esse legado de vida.

Serviço:
Fazenda Bimini – (43) 3356-1794

Imagem ilustrativa da imagem Fazenda Bimini: lição de consciência ecológica
| Foto: Saulo Ohara/2-04-2014
O antigo terreirão de café é palco de apresentações e ensinamentos sobre a importância de se preservar a natureza