Favela polui manancial de abastecimento
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Maurício Borges<br> De Jandaia do Sul 
Com pouco mais de 20 mil habitantes, Jandaia do Sul é a única cidade no eixo Londrina-Maringá que ainda convive com uma favela junto à área central. Apenas 200 metros separam a Vila Santo Antônio, uma favela de 172 famílias, da Avenida Getúlio Vargas, a principal via da cidade.
A favela, vizinha do Country Club de Jandaia do Sul, está encravada num fundo de vale. O terreno, totalmente impróprio para habitações, deveria, segundo técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ser uma área de preservação permanente.
No local está a nascente do rio Marumbizinho, manancial utilizado pela Sanepar para captação de água, visando o abastecimento da população local. Apesar da água receber um rigoroso tratamento e sua qualidade ser garantida pela Sanepar, a favela torna-se um inconveniente constante para o sistema de abastecimento de água de Jandaia do Sul.
Na Vila Santo Antônio, conforme já constataram técnicos da prefeitura e do IAP, proliferam privadas e fossas sépticas, que contaminam a nascente do rio Marumbizinho. A captação da Sanepar é feita num ponto mais adiante do rio, a cerca de 4 quilômetros da favela.
A situação é precária, com famílias vivendo em barracos cobertos de lona, latão ou telhas de cimento-amianto, sem rede de água e saneamento. No local, o Marumbizinho mais parece um esgoto a céu aberto. E, nestas condições, os moradores, principalmente as crianças, ficam expostos ao riscos de doenças.
Preocupado com a situação, o prefeito João Biral Neto (PSDB) está buscando recursos, através de convênios a nível estadual e federal, para tentar acabar com a favela. ''Sabemos que ninguém nunca mexeu com esta delicada situação, mas já passou da hora de encontrar uma solução, erradicando essa favela e garantindo melhores condições de vida para estas famílias''.
Biral reconhece a dificuldade de convencer os moradores a deixar o lugar, mesmo oferecendo uma casa de alvenaria, com rede de água e luz, além de saneamento básico. ''As famílias precisam comprovar renda mínima de apenas 10% do salário mínimo e metade do valor das casas é pago com recursos do governo, mas mesmo assim, muitos continuam teimando em aceitar'', disse o prefeito.
As 172 famílias da favela já foram cadastradas, mas até o momento, o município conseguiu apenas 92 casas, através dos programas ''Morar Melhor'' e ''Paraná Solidariedade''. As casas, de 32 e 40 metros quadrados já estão em construção no Bairro Nova Jandaia e no Jardim das Esmeraldas e devem estar concluídas em três meses.


