‘A militância
segue’, conclui
Bruno
Meirinho



A maior surpresa do candidato Ricardo Gomyde, 38, do PCdoB, foi fazer "apenas sete mil cento e poucos". Ou seja, menos votos do que na disputa de 2006 para deputado federal, quando teve 21.075 eleitores apenas na Capital. Seus 7.187 desta eleição representaram 0,71% do total. "Sabia que não ia me eleger. O importante não é a quantidade de votos, nem se ganhou ou perdeu, mas a imagem que você deixa."
"Mudei muito durante as eleições. É um momento muito tenso, em que você é cobrado das questões mais aparentes até as mais específicas. Foi como fazer um doutorado sobre a cidade. Fui obrigado a aprender tudo o que eu não sabia", explica. Gomyde diz que vai se eleger deputado federal nas próximas eleições. Por enquanto, segue como presidente da Paraná Esporte, uma autarquia do governo do Estado. Ele se orgulha de ser um dos candidatos com menor índice de rejeição segundo as pesquisas. "Não é uma vitória absoluta, mas relativa."
Outro que conta ter aprendido bastante com a eleição é Fabio Camargo, 35, um dos que obteve os índices mais altos de rejeição. Depois das eleições, em que diz ter pautado boa parte dos debates, o candidato do PTB continua a exercer seu mandato como deputado estadual e a apresentar seus programas diários na televisão e no rádio. Para o seu número de votos, "não chegou a seis mil", justifica dizendo que seus eleitores são muito parecidos com os de Beto Richa. "Não sobrou voto. Logo, eles não explicam a minha importância nesta eleição." Explicativos ou não, seus 5.366 eleitores representam 0,53% do total.
Camargo disse que sua carreira mudou de rumo em 2000, quando entrou na política. Segue advogando, mas deixou a idéia de ser promotor ou juiz para trás. Nas suas estatísticas, é o político que mais participou de eleições no Paraná nos últimos dez anos: em 2000 para vereador, 2002 para deputado estadual, 2004 vereador, 2006 deputado estadual, 2008 prefeito e, em seus planos, 2010 para deputado estadual. Ganhou em três das que disputou. Desta vez, diz que lhe faltou a máquina. "Se eu estivesse com a prefeitura, governo estadual ou federal, seria diferente."
Sobre seus próximos passos, o candidato mais jovem destas eleições à prefeitura, Bruno Meirinho, 26, do PSOL, é direto. "Não tem nada de novo. A militância segue." Ele conta que retornou aos lugares por onde visitou. No trabalho, segue como consultor de direito urbanístico de uma cooperativa de profissionais. Em sua opinião, seus 4.464 votos (0,44%) não refletem a força da campanha. Tampouco suas expectativas, que estavam entre sete e oito mil. Entende que aumentou, porém, sua responsabilidade. "Quando você constrói uma personalidade pública, ela se torna importante para a sociedade coletiva."
Em relação às suas possibilidades de ser prefeito no futuro, Meirinho questiona: "Quem sabe? Um dia, o projeto socialista vai ser vencedor." Sua maior preocupação, por enquanto, é fazer com que o partido não seja apenas lembrado pelas suas personalidades - cita Heloísa Helena como o membro mais famoso. O jovem, tal como muitos de seus colegas de disputa, sente-se um vencedor. "Antes a população não percebia o PSOL. A nossa dimensão era menor antes das eleições." (R.U.)

mockup