Farmácias de manipulação ganham mercado
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sábado, 17 de julho de 2004
Jacira Werle<BR>Reportagem Local 
Seria a volta dos boticários ou uma forma de diversificação para atrair clientes? Dados do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná mostram que as farmácias de manipulação estão se disseminado pelo Estado. Em 2001 existiam apenas 138 empreendimentos desse tipo. Neste ano até junho, foram registradas 207 farmácias de manipulação atuando no Paraná. Os fregueses aprovam a novidade principalmente porque o preço é mais baixo que os medicamentos industrializados.
Dados do Conselho Federal de Farmácia contabilizam 51.249 farmácias funcionando no país. Dessas, 3.958 são de manipulação. Na região de Londrina atualmente funcionam 37 empresas desse tipo. Dosagem e quantidade adaptadas a cada paciente são dois fatores que estão fazendo os manipulados ganharem mercado, explica o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Everson Augusto Krum.
Sengundo Krum, a fatia de mercado das farmácias de manipulação ainda é pequena, não afetando significativamente o domínio dos grandes fabricantes. Entretanto, ele acrescenta que tanto as indústrias quanto os laboratórios passaram a intensificar a divulgação dos produtos sobre os médicos. Visto que são esses que prescrevem na receita o tipo de remédio que o paciente deve tomar. Para Krum o crescimento do número das farmácias de manipulação é um fenômeno que está acontecendo em todo o país e a tendência é que esse tipo de serviço se amplie ainda mais.
Segundo o presidente da seccional Londrina do Conselho de Farnácia, Antonio Garcez Novais Neto, o crescimento do número de farmácias de manipulação está atendendo a procura dos consumidores por esse tipo de produto. O fenômeno teria se iniciado na década de 90 motivado principalmente pelo fator econômico. Novais Neto revela que alguns manipulados chegam a ser 300% mais baratos que os remédios industrializados.
Sem o custo da marca, propaganda e dos anos de pesquisa necessários para desenvolver a fórmula os manipulados estão conquistando os consumidores pelo preço e também pela eficácia. '' Os produtos são confiáveis e mais baratos'', afirma a estudante Carlos Eduardo Zanola, 27 anos. Zanola revela que é a segunda vez que compra os produtos, mas afirma já ser adepto da manipulação.
Segundo o gerente de uma farmácia e de um laboratório de manipulados de Londrina, Wilson Bernardo de Souza, a venda de manipulados corresponde por 28% dos negócios da farmácia. Wilson relata que vários clientes chegam até a empresa buscando uma forma mais barata de adquirir os remédios e, sempre que possível, acabam optando pela manipulação.
A medicação, no entanto, só pode ser produzida e vendida pela farmácia se na receita o médico especificar que o remédio poderá ser manipulado. '' Nós podemos manipular apenas o remédio que o médico prescrever, '' assegura a farmacêutica Patrícia Simões da Costa. Ela orienta que os pacientes, na hora da consulta, perguntem ao médico se é possível fazer a manipulação de algum produto. ''Certamente a conta será menos salgada e o doente não vai ter asia com o preso do remédio'', brinca.
Patrícia explica que é possível manipular todos os medicamentos que tenham matérias-primas disponíveis. Segundo ela as novidades quanto aos insumos para produção de remédios estão sempre surgindo o que faz com que mais fórmulas possam ser elaboradas.
Na hora de encomenda um medicamento manipulado, alerta Novais Neto, o consumidor deve estar atento para alguns detalhes. Entre eles o cliente deve observar que os produtos precisam ser feitos sempre a partir da receita do paciente. Outro detalhe é que a produção precisa ser feita no local onde o remédio foi encomendado não sendo permitida a captação de receitas.
Para Novais Neto, o crescimento da manipulação seria uma ''nova faceta'' para as antigas boticas. Onde atigamente se trabalhava com fórmulas prontas e simples agora busca-se fazer medicamentos o mais adaptados possível a cada pessoa. Segundo ele a intensão seria tornar a farmácia um estabelecimento mais de saúde do que comercial.


