Quem assiste aos desfiles das fanfarras escolares durante a semana da pátria não imagina que por trás dessas apresentações existe uma rotina de esforço e dedicação, onde muitos jovens têm que abrir mão de uma parte de seu lazer, para fazer o melhor na avenida. Patrícia Wolf, de 20 anos, sabe bem o que é isso, há dez anos participando da Fanfarra Municipal de Colombo (Famcol), ela conta que já fez sacrifícios como deixar de viajar e abdicar da companhia da família para poder ensaiar com o grupo. ''Fiz por amor'', confessa a jovem, que hoje, mesmo casada, continua participando dos ensaios.
Assim como Patrícia, dezenas de jovens das escolas públicas da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) passam tardes a fio ensaiando músicas para fazer o melhor nas apresentações. Essa dedicação rendeu frutos recentemente, quando a Femcol conquistou o terceiro lugar na competição nacional de fanfarras, disputada no início de outubro no Rio de Janeiro, e o primeiro lugar para a baliza Thaís Gazin, de 14 anos. Esse evento foi a coroação de uma trajetória que teve início em 2000, quando o grupo participou de seu primeiro concurso, em Curitiba. Nessa ocasião, além de enfrentarem o medo da estréia, Patrícia conta que os jovens músicos tiveram que lidar com a falta de recursos. ''Os uniformes que nós tinhamos eram doação. Eram tão feios que as outras fanfarras tiravam sarro da gente'', lembra.
Hoje o grupo não precisa mais ter vergonha. Além de uniformes e instrumentos musicais novos, eles contam com uma trajetória vitoriosa em diversas competições e fecham o ano de 2007 como a segunda melhor fanfarra do Paraná e terceira melhor do Brasil, contando inclusive com a melhor baliza do país. Além disso, o grupo vem recebendo apoio da prefeitura, que no futuro pretende disponibilizar uma sala para os ensaios. Segundo Marcial Francisco Siqueira, do Departamento de Cultura da prefeitura de Colombo: ''A intenção é, não só tirar o jovem da rua, como também dar condições para que eles se tornem cidadãos. Nada impede que em um futuro próximo eles se tornem músicos profissionais'', diz. De fato, se depender do maestro Lourival Ferreira, que também é presidente da conhecida ''Banda Lira'', os integrantes da Famcol poderão trilhar o destino musical se assim escolherem. ''Hoje a Patrícia (Wolf) tem condições de tocar em qualquer banda militar do Brasil'', garante.
Outros integrantes do grupo confirmam o efeito dos ensaios nos demais aspectos da vida. ''Hoje, cada música que eu ouço eu vejo as notas pulando'', diz Douglas dos Santos, 18 anos, que toca lira (uma espécie de xilofone) na fanfarra. Patrícia alimenta o desejo de tocar piano e trompete, ''acho lindo'', diz a jovem, que gosta de ouvir jazz.
Mas não basta apenas ouvido musical e dedicação ao instrumento, os integrantes da fanfarra tem que ser assíduos na escola e tirar boas notas para continuarem ensaiando. A Fancol é formada por alunos entre 10 e 18 anos de vários colégios municipais e estaduais de Colombo. Os ensaios ocorrem três vezes por semana, incluindo sábados. Na época de setembro, são realizados dois ensaios diários. ''É bem cansativo'', diz Patrícia.
Segundo Marcial, o resultado do concurso nacional que consagrou a Femcol como terceira melhor fanfarra do país já repercutiu na procura dos jovens pela banda. Logo que voltou do Rio de Janeiro, ele conta que o número de alunos interessados em tocar na banda passou de 23 para 50.

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