Famílias são preparadas para receber ex-dependentes de drogas
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
A Igreja do Cabral sediou no domingo passado o encontro dos familiares dos moradores da Chácara Meninos de 4 Pinheiros, que abriga jovens entre 7 e 18 anos que moravam na rua e eram usuários de drogas. Na Chácara, localizada em Mandirituba (Região Metropolitana de Curitiba), os meninos desenvolvem atividades sócio-educativas, que têm como finalidade prepará-los para o retorno à família.
O encontro deste domingo foi só para familiares. Pela manhã foram feitas dinâmicas com um material produzido pelos meninos na Chácara. Cada um desenhou o contorno do próprio pé, como forma de retratar os passos da volta para casa. No Salão Paroquial da Igreja, os pais tiveram que recortar as pegadas sem o auxílio de tesouras, apenas com as mãos, simbolizando as dificuldades que acompanham este retorno.
Segundo a professora Araci Asinelli da Luz, responsável pela dinâmica, ''os familiares perceberam como é difícil acertar estes passos''. Na avaliação do coordenador da Chácara, Fernando Francisco Goes, é esta caminhada que deve ser acertada antes do adolescente voltar ao lar. ''A Chácara é apenas um suporte até o jovem voltar para a família. Os conflitos têm que ser resolvidos e os dois lados têm que estar preparados'', afirma.
Para receber os menores de volta, as famílias são acompanhadas por profissionais da área social que acompanham as condições materiais e emocionais de cada uma.
Maria Silva (nome fictício), 33 anos, tem dois de seus sete filhos morando na Chácara. Questionada sobre qual o papel dos pais neste processo, ela responde: ''Educação, amor e carinho eu dou, mas falta ainda melhorar muita coisa''.
À tarde, uma juíza da Vara da Família do município de Colombo e o promotor da Infância e da Juventude de Fazenda Rio Grande tiraram dúvidas dos pais em questões relativas à guarda das crianças, responsabilidade, adoção e outros aspectos legais. O promotor Paulo Conforto acompanha a trajetória da Chácara desde 2002. Segundo ele, o trabalho da ressocialização dos meninos passa pela questão da imposição de limites, papel que deveria ter sido feito pelos pais. ''A família é a raiz do problema'', diz.
Segundo Fernando, muitas famílias não têm condições de receber os jovens de volta, alguns pais têm envolvimento com drogas, outros não têm condições psicológicas e alguns não mostram interesse pelo trabalho, nunca visitaram os filhos e não comparecem aos encontros. ''A relação com a família é uma ferida que reabre nestes encontros, mas não tem jeito, temos que fazer os curativos junto com os familiares'', pondera Fernando.


