Famílias querem deixar o local
Ao longo do Ribeirão dos Padilhas, é possível ver os sinais da enchente. As margens estão destruídas. As casas são todas pequenas, de madeira. Elas têm entre 10 e 30 metros quadrados. A diarista Carmem Helena dos Santos Bento, de 44 anos, comprou a casa já pronta e não sabia o que ocorria nas enchentes. O sonho era sair do aluguel e ter uma casa própria. Sonho que virou pesadelo. Em todas as chuvas, o rio sobe e acaba prejudicando os moradores. As ruas internas da ocupação ficam alagadas. Quem saiu de casa, não consegue entrar. Quem não saiu, não pode trabalhar ou ir para a escola. ''A gente passa muita dificuldade aqui. É urgente que a gente saia daqui. Dá medo. A gente sempre pensa que a casa da gente é a próxima a cair'', disse a diarista, mãe de três filhos.
O pedreiro José Gomes dos Santos, de 45 anos, começou a fazer uma casa de alvenaria na invasão. Mas ficou decepcionado com a última enchente. Agora, ele quer apenas ser realocado para outra área - escolhida pela Prefeitura. ''Eu comprei aqui há dois anos com sonhos. Agora, olho para os lados e vejo enchente, esgoto que volta e enche as crianças de doença de rato (leptospirose). Cachorro morto aparece boiando no meio da água, rato. Tem muita gente doente aqui. O sofrimento é horrível'', relatou o morador.
O motorista José Batista, de 52 anos, também não vê perspectiva de melhorias de infra-estrutura no local. Não adiantaria levar luz, água tratada. Ele está convencido que o ideal é uma nova área para todas as famílias que moram na ocupação. ''Precisamos de solução rápida. A gente pede, mas tudo demora muito. Não sei se não ocorrerão mortes numa próxima enchente'', disse ele. E a preocupação tem motivo. Algumas casas estão com a estrutura abalada. Madeiras foram colocadas no barranco para sustentar o local onde famílias ainda vivem - com o medo constante de chuvas.
O vendedor autônomo Roberto de Oliveira, de 27 anos, é um dos líderes da ocupação. Ele já agendou uma reunião com integrantes da Cohab para o dia 16 de abril - quando eles irão cobrar solução para os moradores. ''Não temos mais como enfrentar essa situação desumana. Muita gente é prejudicada com as chuvas. Já morreram crianças em enchentes. Precisamos de ajuda urgente'', falou Oliveira. (L.P.)





