Famílias estão reféns das drogas
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sábado, 23 de maio de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Ao chegar a uma das celas da carceragem da delegacia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) no último fim de semana, o aposentado Benjamin Antônio da Silva, 75 anos, foi logo pedindo desculpas aos outros presos por não dominar o mesmo linguajar dos companheiros de cela. Ele nunca havia pisado em uma delegacia até poucos dias antes, quando procurou policiais da cidade de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), onde morava, para queixar das travessuras do neto, Rodrigo Augusto da Silva, 23, viciado em drogas.
Ao sargento-gestor Adriano Esteves, Benjamin contou que o neto havia tomado sua mobilete emprestada e estava demorando a devolver. O policial nada pôde fazer, pois se tratava de um empréstimo de avô para neto. Mais tarde, o aposentado voltaria à delegacia para mudar a queixa e contar que o rapaz já não estava mais com a mobilete. Ele teria vendido a motoneta por R$ 30 para comprar drogas. Porém, o sargento não estava na delegacia. ''Se eu tivesse recebido a queixa de furto, teria tomado uma atitude'', comenta Esteves.
A polícia não conseguiu evitar uma tragédia. No dia seguinte, com um golpe certeiro de punhal, Benjamin furou o pescoço do neto. Rodrigo teve morte praticamente instantânea. ''Estávamos na rodoviária de São Martinho (distrito de Rolândia) esperando o ônibus para irmos atrás de recuperar minha mobilete. O meu neto me ameaçou, disse que me mataria se eu fosse à polícia novamente. Era ele ou eu. Sinto muito, era sangue do meu sangue, mas ele estava aprontando demais'', diz o pai de nove filhos que agora se queixa por não poder fazer a sua atividade diária de capinar a roça de 380 pés de café que cultivava.
O caso de Benjamin e Rodrigo é um exemplo, dos mais tristes, do que a ''epidemia'' de uso de drogas está causando no Brasil: a destruição de famílias. Tal epidemia não escolhe classe social, credo, raça, metrópoles ou cidades pequenas.
O sargento Esteves conta que em abril deste ano, em um só dia, a polícia militar estourou quatro pontos de vendas de drogas em Florestópolis, município de 11,5 mil habitantes. No mês passado, em um bairro nobre de Porto Alegre (RS), uma mulher de 60 anos matou o filho de 24 anos, usuário de drogas.
Em Londrina, Leonice, 62, vive com medo e com os olhos marejados. Seu filho, Paulo (nomes fictícios), 31, é viciado em crack há 12 anos. Depois de passar os últimos cinco anos cumprindo pena por roubo, o rapaz saiu no começo de 2009 da cadeia.
A mãe achava que finalmente o filho voltaria a conviver socialmente. Estava enganada. Com apenas uma semana de liberdade Paulo voltou a usar a droga. O viciado já tirou de casa rádio, TV, botijão de gás, liquidificador.
''Não sei o que fazer. Tratamento ele não quer. Se não consegue meios para pagar a droga é ameaçado de morte. É um pesadelo do qual eu nunca acordo'', desabafa Leonice, que já chegou a chamar a polícia para prender o próprio filho, mas os policiais não apareceram. ''Disseram que se ele tira de dentro de casa nada podem fazer'', lamenta a mãe.


