Família Tkoltz resistiu às dificuldades
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Benê Bianchi Londrina 
Reprodução Museu Histórico de CambéChegada em Jatahy, em 17 de maio de 32: Hans Neudan, Lucie-Franz Bloch com as filhas Cecília e Brigitte; Charlote Kuck, Helmut Stachle, Marie Neudan, Gaston Kuck; Arnold Klawitter Filho, Kurt Klawitter, Lisa Petrusck e um agenciador Entre os poucos imigrantes danziguenses que resistiram às adversidades no Norte do Paraná, está a família Tkoltz.
A situação em Dantzig era muito difícil. A crise era grande, lembra Ronald Tkoltz, um dos filhos do casal Pedro e Marta Tkoltz. O pai já tinha passado por momentos difíceis durante a 1ª Guerra. Quase perdeu as duas pernas e carregou, por anos a fio, estilhaços de granada no couro cabeludo. Além da crise econômica, no início da década de 30 já começava a se instalar a instabilidade política. De um lado os comunistas - Dantzig era do lado da União Soviética - e de outro o Nacional Socialismo, de Hitler.
A mãe não teve dúvidas. Ela disse: Isso aqui vai acabar mal. Ela tinha uma visão clara do que ia acontecer, relata Ronald. O pai tinha uma loja de bicicletas que garantia o sustento dos seis filhos, mas o receio fez com que decidisse buscar uma nova vida. Soube da Companhia de Terras e comprou 20 alqueires no Norte do Paraná.
Reprodução Museu Histórico de CambéRonald, que chegou com 14 anos
O filho homem mais velho, Werner, de 18 anos, veio conhecer o novo mundo. Ele estava no primeiro grupo, de 32 pessoas. Um ano depois, vieram a mãe e três irmãos, entre eles Ronald, então com 14 anos. Para mim era uma grande aventura., diz Ronald. A Companhia enviou emissários para buscá-los no Porto de Santos. Foram mais de 20 dias de viagem. Tudo correu tranquilamente. Uma cena que ficou gravada na memória de Ronald aconteceu na Ilha da Madeira, em Portugal. Lá estivemos parados por 24 horas e vimos meninos que mergulhavam até perto do navio e ficavam esperando que jogássemos dinheiro para eles.
Desistir, nuncaQuando a família chegou em Nova Dantzig, de 31 de dezembro de 1932 para 1º de janeiro de 1933, o irmão já havia construído o rancho. O começo foi difícil, mas eles tinham determinação e disposição. Em Dantzig já tínhamos DDD, bondes com porta automática, teatro municipal... Aqui era só mato. Além disso, a família não era agricultora. Mas sobreviveu dos produtos tirados da terra - milho, feijão batata doce, mandioca.
Tivemos que virar agricultores, o que foi um pouco difícil, mas era o que tínhamos escolhido e por isso tínhamos que enfrentar. Desistir foi uma coisa que nunca passou por nossa cabeça. O pai e mais uma irmã chegaram um ano depois. Pedro Tkoltz abriu uma lojinha para consertar espingarda, bicicleta, vitrola e depois, automóveis. A família começava a prosperar.
Para se divertir, os jovens inventavam. Ronald era da turma que promovia os Assustados: juntavam o grupo, escolhiam a casa de um amigo e chegavam de surpresa, avisando que era ali mesmo que seria feita a festa do dia. Apesar do susto, o anfitrião forçado abria as portas e a diversão era garantida.


