Casa da Cultura/GoioerêUma das primeiras casas de comércio construídas em Goioerê: valeu a pena A história de Goioerê tem início no final da década de 40, em Lins, interior de São Paulo. Foi lá que o fazendeiro Carlos Scarpari começou a tentar convencer o irmão mais velho, Francisco, e um sobrinho, Wladimir Antônio Neves Scarpari, a irem com ele desbravar o novo Paraná. Para tanto, requereu ao Estado um gleba de terras devolutas. Em 1949, os Scarpari já estavam na ‘‘região do Rio Goioer꒒ para conferir se valeria a pena se estabelecer.
Encantado com o que encontrou, Carlos se decidiu rápido. Enquanto ele abria picadas nas matas, Francisco e Wladimir buscavam, em Curitiba, a concessão das terras. Isso acabou acontecendo em 21 de abril de 1950, quando o governo autorizou a ocupação da primeira parte da gleba 12 da Colônia Goioerê, com 1.200 alqueires. A medição foi feita por Ladislau Trausinski, o primeiro agrimensor da região.
Enquanto as terras eram medidas, Carlos aguardava num pequeno rancho no Água Bela. Em pouco tempo, o rancho virou acampamento a outros pioneiros que iam chegando à região. Alguns meses depois, a gleba estava demarcada. Foi o sinal verde para a derrubada da mata e o início do plantio do café. A primeira semente foi plantada em data que entrou para a história: 23 de novembro de 1950. Às 9 horas!
‘‘Não era só a semente de formação de um cafezal pioneiro, mas também o marco pioneiro e inicial do progresso e da riqueza de uma região promissora’’, relatou Wladimir anos mais tarde. O café deu a imissão dos títulos de domínio das terras aos Scarpari, mas não garantiu a tranquilidade. Aventureiros e especuladores imobiliários, protegidos por pistoleiros, invadiam áreas à força e ameaçavam a colonização pacífica.
ProteçãoCom o clima tenso e ameaçador, Wladimir juntou-se ao prefeito de Campo Mourão, Pedro Viriato Parigot de Souza, e foi a Curitiba em busca de socorro. O caso acabou solucionado com a intervenção da polícia de Campo Mourão e de um emissário do Departamento de Terras do Estado, que providenciaram o deslocamento dos invasores para outro local. Os 1.200 alqueires dos Scarpari foram, enfim, legalizados no registro de imóveis em janeiro de 1951.
‘‘Era uma vida dura, cheia de incertezas e sacrifícios’’, destaca outro trecho do depoimento de Wladimir. Todas as compras, desde alimentos até remédios e equipamentos, tinham que ser feitas em Campo Mourão, a 70 km. Isso incomodava os Scarpari. Carlos já sonhava com a formação da cidade. O sonho começou a se tornar realidade em 29 de novembro de 1951.
Foi nesse dia que o Diário Oficial publicou o edital para o registro do Patrimônio Goioerê, pertencente à Sociedade Imobiliária Oeste Paulista, dos Scarpari. Era o passo para a futura cidade. Manteve-se o nome do rio, que significa, em tupi, ‘‘águas claras’’, localizada no Noroeste do Paraná, a 520 km de Curitiba. O passo seguinte do sonho foi a constituição, em Curitiba, da Sociedade Imobiliária Terraplenagem Goioerê, também dos Scarpari.

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