Eles são irmãos, pais, filhos, marido, mulher... Mas também são concorrentes, chefes, subordinados, colegas de trabalho. Não é comum que empresas que não são as familiares contratem membros de uma mesma família, mas algumas pessoas incentivam e até interferem para a contratação do parente na firma onde atuam. A convivência com os familiares no ambiente de trabalho nem sempre é fácil, mas eles garantem: vale a pena.
As irmãs Silvana da Silva Ribeiro, 31 anos, e Sandra da Silva, 28, competem para ver quem consegue vender mais. As duas trabalham no setor comercial da Editel, em equipes separadas, e brigam para ver quem bate a meta primeiro. Sandra, a irmã mais nova, entrou primeiro na empresa e indicou Silvana. Deu certo.
No começo a irmã mais experiente nem sempre tinha tempo para ajudar a novata. Mas Sandra deixa claro que nunca sentiu ciúmes de ter alguém ''invadindo seu território''. ''Acho que a minha irmã nem precisava de muito auxílio mesmo. Em menos de um ano ela também entrou para o clube de excelência da empresa'', orgulha-se Sandra.
Depois de um ano e meio trabalhando juntas, Silvana acha que ajudou a irmã, mais tímida, a se soltar dentro do ambiente de trabalho. Sandra não dá todo esse crédito à parente, afirmando também ter amadurecido por conta própria.''Chegaram a nos comparar às gêmeas Ruth e Raquel, da novela Mulheres de Areia (uma malvada e outra boazinha). Mas era só porque nós somos parecidas fisicamente e temos personalidades bem diferentes'', conta Silvana. Sobre a competição, as duas são unânimes em dizer que se sentem mais motivadas com o bom desempenho da outra.
Intimidadora mesmo é Sonia Mábile, gerente comercial da Sepac. Ela coordena toda a equipe de vendas da empresa que inclui seus dois irmãos e o marido. Mas nem por isso eles têm privilégios. ''As regras são as mesmas para todo mundo. Às vezes eles até tentam chorar alguma vantagem, mas, em geral, eu quase não tenho problemas porque eles são muito competentes mesmo'', explica. Em alguns momentos, ela precisou dar bronca nos parentes. ''Somos família de italianos, falamos alto e até brigamos. Mas sempre acaba tudo bem. E todos somos bem focados no trabalho'', conta.
E nas reuniões de família? ''Nós até tentamos não falar sobre trabalho. Mas não tem jeito'', brinca. José Agnaldo Ferreira dos Santos, o marido de Sonia, conta que entre os amigos tem muita ironia. ''Eles brincam comigo que se eu me separar perco também o emprego. Mas eu não esquento a cabeça, levo na boa''. Marido e mulher concordam que os cargos dentro da empresa são apenas uma questão de perfil. ''Ela tem perfil de líder. Já eu e os irmãos dela nos damos bem lidando com clientes e fazendo a venda'', explica Agnaldo.
Laércio Rogério Sens, 51 anos, levou dois filhos e o genro para trabalhar junto na Britanite, onde está há 30 anos. A história de Laércio com a empresa começou antes mesmo dos filhos nascerem, quando ainda era solteiro. Hoje o filho trabalha de mecânico, a filha de recepcionista e o genro é torneiro mecânico na mesma empresa. ''Acredito que eles seguiram meus passos por eu sempre falar com muita paixão do meu emprego. Eu ajudei que eles conseguissem o trabalho e não me arrependo. Sinto orgulho de todos'', conta.
O amor de Laércio pelo emprego é claro. ''Foi meu primeiro, único e será o último. Nunca precisei cobrar nada dos meus filhos e acredito que o simples fato deles estarem aqui dentro mostra o quanto eu sou bem quisto'', orgulha-se. Depois de muitos anos trabalhando na fábrica, ele agora busca novos explosivos no laboratório do centro de pesquisas da firma.

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