O menino que nunca tinha visto o mar e não acreditava que a água era salgada, é hoje suboficial especialista em eletrônica da Marinha. Paranaense de Nova Esperança, Odair Amâncio Freire, 42 anos, está pela segunda vez no continente, privilégio para poucos. Responsável pelos sistemas de telefonia e internet, também faz a manutenção em todos os equipamentos eletrônicos da estação.
A esposa e o filho estão no Rio de Janeiro, matam a saudade por meio de centenas de fotos. Amâncio também é fotografo. Seus cliques do continente gelado já lhe renderam até prêmio, além de uma infinidade de fotos publicadas em livros e informativos da Marinha. Da terra natal, Odair sente falta da roça, das frutas colhidas no pé. Quando visita a família, se recusa a ir para a cidade.
O pé vermelho e primeiro sargento mergulhador, Miguel Gimenez Sofia, 46 anos, saiu de Ibiporã com 18 anos para realizar um sonho de infância. Quando pequeno foi ao Porto de Santos buscar seus avós que chegavam da Espanha. A visão daquelas dezenas de navios atracados nunca mais saiu da cabeça de Gimenez. Naquela manhã o garoto decidiu seu futuro.
Sofia é um homem de sorte e também está pela segunda vez no continente gelado. ''Quando voltei para o Brasil, me bateu uma saudade da Antártica. É difícil quem vem para cá não querer voltar, eu consegui'', confessa. Entre os encargos de sargento está o tratamento ambiental de resíduos e a manutenção e operação das embarcações. (S.R.)

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