Há três, no início de julho de 94, o agroempresário Wilson Baggio enfrentava a sua 14ª geada e, em entrevista à Folha, confessava o seu medo: ‘‘Tenho um trauma de geadas, como um homem que vai para a guerra e volta pertubado, traumatizado’’. Ele guarda uma lista onde tem anotadas todas as geadas que atingiram as propriedades da família.
A família Baggio, de imigrantes italianos de Padova, norte da Itália, chegou ao Brasil no final do século passado e se instalou em Araras (interior de São Paulo). Trabalhavam como colonos nas fazendas de café, junto com escravos. Em 1850, o patriarca Salvador Baggio comprou uma fazenda em Pirassununga, onde começou a plantar café.
O Paraná entrou na história da família quando o pai de Wilson, Pedro Baggio, esteve em Cornélio Procópio, em 1929, em plena recessão, para vender uma gleba de 100 alqueires. Se encantou com o lugar e voltou 10 anos depois e comprou uma gleba, também de 100 alqueires. Aí instalou a Fazenda São Pedro, onde continuou plantando café. Em 1942 aconteceu a primeira geada e no ano seguinte o cafezal voltou a ser atingido. Pensou em largar tudo mas não desistiu.
Wilson Baggio era um estudante, mas acompanhava tudo de perto. Em 1945, se formou em Contabilidade e passou a administrar a fazenda São Pedro. A economia mundial começava a se recuperar. A 2ª Guerra Mundial havia acabado e as geadas ficaram 10 anos sem aparecer. A família começou a crescer, sempre baseada na cafeicultura. Hoje o patriarca da família é o próprio Wilson Baggio, responsável por propriedades no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

mockup