Família Arassaki mora há mais de 50 anos no bairro
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sábado, 10 de julho de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
O casal José e Yuki Arassaki, ambos com 83 anos, está comemorando no ano dos 70 anos de Londrina duas datas importantes: 60 anos de casamento e de moradia na cidade, 54 somente na Vila Casoni, o primeiro bairro de Londrina. O paulista de Rincón, na região de Ribeirão Preto (SP), e a japonesa da província de Okinawa vivem em Londrina desde 1944 e acompanharam de perto o desenvolvimento da Área Central e do próprio município.
O clã Arassaki sempre se dedicou ao comércio e sempre viveu e trabalhou em família. O primeiro negócio no bairro foi um armazém de secos e molhados - a Casa Brasileira - na esquina das ruas Guaranis e Caraíbas, onde também moravam. Arassaki relembra a movimentação da casa, que era dividida entre quatro casais e os filhos. ''Moravam meus pais, eu e minha família e mais meus dois irmãos com os filhos. Era uma casa sempre movimentada'', rememora. Somente o casal José e Yuki tinha sete filhos. ''Na época, havia o costume de morar irmandade toda junta'', acrescenta. ''Na vila era tudo barro e poeira. E aqui em casa, era correria o dia inteiro, criança pra lá e pra cá'', relata Yuki.
A família trabalhou a maior parte da vida unida, no armazém ou em um bar também próximo da própria residência. Na casa de secos e molhados, a variedade era o forte. Arroz, feijão, açúcar, farinha. Todos os produtos ficavam estocados em sacos espalhados pelo estabelecimento. Os fregueses podiam, então, comprar somente a quantidade desejada. ''Hoje o mercado vende tudo ensacado. É muito mais prático'', compara José.
No final dos anos 1970, José Arassaki também foi taxista. Como não podia ser diferente, o ponto era na própria Vila Casoni, próximo à Panificadora e Confeitaria Central, a mais tradicional da região. Da época, ele destaca a segurança para trabalhar em qualquer horário do dia ou da noite, o que não ocorre hoje. ''Trabalhava à noite, de madrugada, e nunca tive desconfiança de nada. Hoje em dia já é muito perigoso'', lamenta. ''Podia andar à meia-noite porque nunca tinha problema nenhum'', relembra Yuki.
Apesar das queixas sobre a falta de segurança, o casal garante que gosta de viver na Vila Casoni. ''Temos muitos amigos e conhecidos que moram por perto. A gente não muda daqui de jeito nenhum'', garantem. José e Yuki Arassaki também buscam manter viva a cultura japonesa, pelo menos entre os familiares. Entre os dois, as conversas sempre são no idioma estrangeiro. Os filhos, além de estudarem no tradicional Grupo Escolar Dr. Willie Davids, frequentaram a escola Romaré, que ensinava a língua e a cultura japonesas.
O último negócio de José Arassaki foi o ferro velho na Rua Guaranis. A aposentadoria só obteve há poucos anos, por interferência dos filhos, já que havia desistido de pagar a Previdência Social anos antes. Apesar de oficialmente aposentado, o pioneiro não pára. Ainda hoje, ele mesmo põe a mão na massa para fazer consertos em casa. ''Subo no telhado para arrumar e nas árvores para podar quando é preciso'', conta. ''O espírito não mudou. Parece que estou com 20 anos'', orgulha-se.


