Faltas não são permitidas
O ponta-pé inicial do Barnautas é antes da primeira rodada de cerveja, na quinta-feira. Cada reunião começa já no início da semana, quando Denise manda para os membros da confraria a famosa ''convocação''. É a intimação que chega pela caixa do correio eletrônico dizendo que a falta não é permitida. No mesmo e-mail, o local é informado.
O bar geralmente é sugerido por um dos membros (com mais frequência Fernando Barbalho, o maior conhecedor de botecos do Barnautas), mas a decisão é conjunta e leva em consideração a opinião geral. ''Tudo é bem democrático. Mandamos a convocação e se alguém tiver algum senão, a gente muda'', explica Denise. No mais, é esperar a chegada de quinta-feira.
São 18 horas. O expediente acabou. Os membros da confraria deixam de lado a seriedade da burocracia do funcionalismo público para se transformar em Barnautas. Nós de gravatas afrouxados, é a hora da descontração.
O horário fixo para cada um estar no bar é 18h03. Sim, três minutos depois do fim do trabalho. ''É uma bincadeira que fazemos. 'Acabou o expediente, todos têm de ir voando para o bar''', explica Denise.
A partir daí, a hora de saída vai depender do bar, do atendimento, da temperatura da cerveja. A qualidade do bar é medida pelo tempo que ficam no local. Geralmente, as reuniões não passam das 23 horas. ''Assim não prejudica o expediente'', esclarece Denise. Em um dos bares, porém, não passa das 20 horas. Não agradou. Dizer qual? Não seria de bom tom...
As notas já são decididas na hora. Segundo Denise, os membros já se manifestam no próprio local. Depois, tudo começa de novo. E assim vão rodando, semana a semana, os bares de Curitiba, como se fossem os Argonautas, mitológicos navegantes gregos que têm a trajetória confundida com o verso de Fernando Pessoa: ''Navergar é preciso''. Para o Barnautas, beber e jogar conversa fora também.
É bom ficar de olho na opinião deles. Fica a dica para os proprietários de bar.





