Faltam banheiros públicos no Centro de Curitiba
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Muita gente já passou pela situação de estar no Centro de Curitiba, sentir necessidade de ir ao banheiro e não conseguir encontrar um sanitário público. ''Algumas vezes tive que pedir para usar banheiros de lanchonetes. Na maior parte do Centro faltam banheiros públicos'', reclama o aposentado Emídio Martins Filho.
O problema afeta quem passa pelo Centro e precisa usar o sanitário e também pessoas que trabalham perto de espaços públicos onde não há banheiro. Maria Marizete Gruczkoski é vendedora de uma loja de fantasias ao lado da Praça Santos Andrade. ''Nessa região não existe nenhum banheiro público. Por isso, todo dia tem gente que pede para usar o sanitário da loja. É um problema, porque você não conhece as pessoas. A praça devia ter um banheiro'', afirma a vendedora.
Diney Gonçalves dos Santos, funcionário de um estacionamento na região, diz que não pode atender a todos os pedidos de transeuntes que querem usar o banheiro do estabelecimento. ''Fica difícil, porque estamos sempre na correria e não tem como ficar cuidando'', explica.
Na Praça Carlos Gomes, existe um banheiro, mas pessoas que trabalham nas imediações relatam que o local fica trancado. ''Não é um banheiro público, só pode ser utilizado por quem tem autorização. Nós, que trabalhamos na praça, temos a chave'', diz Marcelo Francisco da Silva, funcionário de uma banca de jornais. Outra pessoa que trabalha na região comenta que o uso do banheiro tornou-se restrito porque o sanitário era alvo constante de depredação.
Silva explica que, como falta um banheiro público na área, muita gente faz suas necessidades pelos cantos da praça. ''Urinam e defecam por aí a qualquer hora do dia, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em dias de sol, fica aquele cheiro'', aponta o funcionário.
Maria Marizete e Diney Gonçalves dos Santos afirmam que o mesmo problema ocorre na região da Praça Santos Andrade. ''Muita gente faz xixi nas entradas das lojas'', reclama Santos. ''Essa área em torno do prédio da UFPR é um nojo. Em dias de sol, você não consegue passar em volta por causa do mau cheiro'', diz Maria.
Há alguns meses, o vereador Mário Celso Cunha (PSDB) propôs à Prefeitura de Curitiba que fossem destinados recursos orçamentários para a implantação de mais banheiros públicos na cidade. ''Há mais de 40 espaços de uso público em Curitiba que não têm sanitário público'', relata o vereador.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) está finalizando um projeto para aumentar o número de banheiros públicos na capital. ''Vamos enviar esse plano para uma empresa para avaliar qual seria o custo'', explica Célia Regina Bim, supervisora de planejamento do Ippuc.
Ela afirma que o instituto já fez um mapeamento e vai identificar os dez pontos mais problemáticos. ''Vamos apresentar o projeto ao prefeito e ver quantos sanitários vamos instalar. Vamos a princípio colocar alguns protótipos, como um experimento, por três meses, para dimensionar o custo mensal desses banheiros'', aponta Célia.
A supervisora explica que a experiência para avaliar essa despesa é importante, porque a idéia é que os banheiros sejam gratuitos e fiquem abertos durante todo o dia. ''Hoje muitos sanitários públicos são pagos e só funcionam até as 20 ou 22 horas'', justifica. Entre os pontos problemáticos que devem ser contemplados, Célia cita as praças Tiradentes e Santos Andrade.
''Na Tiradentes, há um banheiro próximo, nas Arcadas do Pelourinho, mas é pago e só fica aberto até as 20 horas. Já a Praça Santos Andrade não tem nenhum sanitário público'', diz a supervisora.


