O carpinteiro João Antônio da Silva, pai de Patrícia da Silva, 17, brutalmente assassinada em Londrina, em 2002, lutou ao lado da esposa durante anos - primeiro contra a dependência química da filha, depois, para que o caso não fosse relegado ao esquecimento. Cansado, hoje mostra desesperança e admite ser difícil que o crime seja solucionado. ''Quando é uma caso de pessoa conhecida, de gente rica, existe interesse em achar o assassino. A polícia trabalhou no começo, mas depois de um tempo acabou no esquecimento. Não acredito que essa determinação vai mudar alguma coisa'', conta ele, lembrando que a mulher cobrou muito das autoridades. ''Ela morreu sem conseguir.''
Para o pai, que lamenta não ter evitado o pior, o sofrimento de perder uma filha nessa circunstância e ver a neta crescer sem a mãe, aumentam ainda mais a dor. ''Ela tinha apenas três meses quando a mãe morreu. Minha filha estava decidida a mudar de vida por causa da menina'', lembra. A irmã Priscila, que era muito ligada à Patricia, se emociona ao ler uma carta que a irmã escreveu quando estava numa casa de recuperação. ''O carinho por uma irmã é muito forte. Como não posso te dar uma flor, desenho essa para você'', dizia um trecho.
Desde o nascimento da filha, Patricia não havia saído mais de casa. Numa noite de sexta-feira, após receber uma ligação, saiu a contragosto da mãe e não voltou mais. Seu corpo foi encontrado no domingo, sob uma ponte na rodovia Mábio Gonçalves Palhano (Zona Sul). Além de perfurações na cabeça, teve o útero arrancado. Várias hipóteses foram levantadas, inclusive de que o assassino tivesse conhecimentos cirúrgicos, mas nenhum autor comprovado.
O último registro sobre as investigações, na 10 Subdivisão Policial, é de que o inquérito havia sido encaminhado ao cartório da 1 Vara Criminal.

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